Vinícola pioneira no Brasil no mercado de vinhos sem álcool contou sobre a produção do produto em ascensão no mercado global
O mercado de bebidas sem álcool vem crescendo cada vez mais em nível global. Com isso, várias empresas estão ‘entrando na onda’ e produzindo sem teor alcóolico, bebidas que antes que eram consumidas popularmente com álcool, como cervejas e vinhos.
Atenta ao mercado, a vinícola La Dorni, localizada em Bandeirantes, no interior do Paraná, foi a pioneira no Brasil no mercado de vinhos sem álcool. A iniciativa começou em 2000 com o proprietário José Aparecido Martins, de 71 anos.
Segundo o filho e também proprietário, Jonathan Martins, a inclusão foi o que motivou José na produção sem álcool. “As pessoas começaram a falar: ‘Olha, eu gosto muito de vinho, mas eu tenho restrição ao consumo de álcool, ou eu estou fazendo um tratamento medicamentoso, ou ‘estou grávida’”, contou o sommelier Jonathan à Itatiaia.
Vinho sem álcool é suco de uva?
‘Para você obter um suco de uva, você basicamente faz o cozimento das uvas e faz a pasteurização. E ela não tem fermentação. Já o vinho sem álcool primeiro você fermenta, ele se transforma num vinho normal (com álcoole depois ocorre a desalcolização, que é um segundo processo. Por isso que ele é um vinho sem álcool e não um suco de uva', explica o proprietário e sommelier da La Dorni, Jonathan Martins.
‘Se você pegar a análise físico-química de um vinho sem álcool e o mesmo vinho com graduação alcoólica, a única única diferença vai ser realmente o álcool’, ressalta.
Além disso, o especialista explica que o vinho sem álcool tem ainda os benefícios do vinho ainda mais concentrados.
‘Então, no suco como não tem essa fermentação, você tem os níveis muito baixos de resveratrol. Então por exemplo, se a gente comparar o mesmo vinho sem álcool da mesma uva, é com o mesmo vinho com graduação alcoólica, o sem álcool ele vai ter cerca de 70 a 80% mais de de resveratrol do que o mesmo vinho com graduação alcoólica, porque ele fica mais concentrado', explicou à reportagem.
No caso do vinho com álcool é usado, por exemplo, um cacho de uva. Já no vinho sem álcool são necessários dois cachos. As substâncias benéficas ficam na casca da uva tinta.
‘Elas são como se fosse uma proteção da baga ali. Quando há fermentação, essa proteção se mistura com o mosto e desenvolve esses níveis altos de de resveratrol e dos polifenóis’, afirma.
2000 X Nova geração
Quando a vinícola La Dorni começou a produção e comercialização dos vinhos sem álcool, o público era mais velho.
‘Pessoas que não poderiam consumir álcool por motivos religiosos ou porque fazia tratamento de saúde. Ou inclusive até alguns padres que que não poderiam celebrar missa com o vinho com graduação alcoólica, aí a gente tem também um vinho canônico sem álcool, só que aí no caso ele tem que pedir uma autorização especial para o bispo dentro da igreja, para você celebrar’, explicou Jonathan sobre o público dos anos 2000.
Já a nova geração é um novo público que buscam uma vida mais saudável já na juventude.
‘Essa geração mais nova é uma geração que se cuida mais. Analisando o comportamento deles, eles preferem festas que não se estendam até da na madrugada, eles preferem acordar no outro dia com disposição, sem ressaca. Claro que que isso a gente falando estatisticamente. Não estou falando que todo mundo é assim, mas quando a gente analisa o mercado’, analisa o sommelier.
O proprietário da vinícola pioneira também afirma que o vinho sem álcool vêm sendo usado até como pré-treino.
‘Alguns que treinam muito, usam vinho sem álcool, até como um pré-treino ou na dieta, né, para não sair da dieta. As gestantes também nos procuram bastante’, disse.
‘O vinho sem álcool faz tão bem para o coração, porque é como se ele dilatasse e aumentasse o calibre das veias, das artérias e o sangue circula mais, a gente fica mais vermelhinho’.
Desafios do mercado
Outra grande diferença do público inicial com a nova geração é rotatividade de marcas, o que traz um novo desafio a empresa.
Segundo Jonathan, atualmente o vinho sem álcool corresponde entre 65 e 70% da produção da La Dorni, aproximadamente cerca de 170 mil litros por ano.
Quaresma
Além do novo público, a empresa também percebeu um aumento da demanda no período da Quaresma. Muitos católicos fazem penitência de carne vermelha e buscam substituir a proteína por 40 dias.
No entanto, os fiéis também fazem outras penitências, como ‘cortar’ o consumo de bebidas alcoólicas.
‘A gente tem aqui o nosso showroom onde as pessoas compram, a gente nota assim que as pessoas falam: “Ah, não, olha, eu não estou tomando álcool, então eu vou levar o meu sem álcool por enquanto aqui na Quaresma”. Então, então tem sim um aumento na procura’, afirma Jonathan.
Itatiaia