O aumento de preços generalizado no Brasil deve fazer com que o consumidor continue fazendo escolhas para equilibrar as finanças e amenizar os impactos da inflação no bolso, mesmo em datas comemorativas como a Páscoa. Assim como no ano passado, a maioria das pessoas deve apostar em opções mais econômicas, como barras, caixas de variedades e bombons.
É o que revela estudo realizado pela Kantar. No ano passado, o volume de compras de chocolates entre março e abril cresceu 15% em relação a 2023, impulsionado principalmente por formatos regulares, como barras (22,5%e caixas (45,3% do volume da sazonalidade). Além disso, 44,4% dos lares brasileiros comparam chocolates no período, sendo autosserviço o principal canal de compra.
Os destaques positivos foram caixas de chocolates, que corresponderam a mais de 50% do volume presenteado na sazonalidade, sendo que ovos de Páscoa apresentaram queda, indo de 20% do share de vendas em 2023, para 12,6% no ano seguinte.
O cenário para este ano é ainda mais complexo, já que além da inflação brasileira, que acumula alta de 5,06% nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro, o preço do cacau quase triplicou nos últimos dois anos e atingiu um pico em dezembro do ano passado. Naquele mês, por exemplo, a tonelada da commodity chegou a ser comercializada por cerca de US$ 11 mil na cotação da bolsa de valores de Nova York, alta de 163% na comparação com o mesmo mês em 2023. Nesta segunda-feira (24), o insumo está cotado em US$ 8 mil.
A elevação tem sido impulsionada pelos problemas climáticos nas lavouras dos maiores produtores do fruto do mundo, localizados na África. O continente representa 70% do fornecimento mundial da amêndoa.
“Não esperamos um aumento em volume de ovos de chocolate este ano, mas o cenário pode se manter estável em relação a 2024. O consumidor deve apostar em chocolates em barra e caixas de bombons para equilibrar o bolso, assim como já está se habituando a fazer, com escolhas mais racionais para não abandonar a categoria”, avalia a diretora de contas da divisão Worldpanel da Kantar, Juliana Kohler.
Impacto do preço do cacau para o consumidor final na Páscoa
De acordo com análise da Kantar, o último semestre de 2024 registrou o início da movimentação de alta de preço do chocolate para o consumidor final, com 7% de avanço comparado ao segundo semestre de 2023, e diminuição da intensidade de compra. Isso se refletiu em todas as classes sociais, que mesmo em dinâmicas diferentes, buscaram o equilíbrio do bolso para não abandonar a categoria.
Prova disso, é que no último trimestre de 2024 os brasileiros de todas as classes sociais fizeram diferentes movimentações para seguir comprando o produto: A e B priorizaram marcas econômicas (8,4% volumeou premium (10,6% de volume), enquanto classe C manteve preferência em marcas premium (+9,4%), mas reduziu o consumo em 7,5% em volume, e classe DE priorizou marcas econômicas (+19,3%). No contexto geral, marcas mainstream foram menos priorizadas, diante de um consumidor focado em custo-benefício, num momento em que a diferenciação é essencial para definir a compra.
Diario do comercio