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Mercado imobiliário vive expectativa com possibilidade de cortes na Selic

Publicada em: 09/02/2026 06:57 -

Queda na taxa básica de juros pode impulsionar o mercado imobiliário reduzindo custos e facilitando o financiamento

 

O mercado imobiliário no Brasil espera viver um grande momento com o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros em 2026. Após atingir o maior patamar das últimas duas décadas, de 15% ao ano, a Selic deve começar a cair a partir da reunião de março do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC), segundo sinalização do próprio colegiado na comunicação oficial da reunião de janeiro.

 

Segundo a ata do Copom, após profundas discussões sobre o nível corrente da Selic como mecanismo para assegurar a convergência da inflação para o centro da meta de 3% e análise ampla de dados da economia, os diretores do BC agora discutem a calibração da política monetária no contexto de um “ambiente de melhora do cenário e expectativas de queda no índice de preços ao consumidor”.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Raphael Lafetá, explica que Selic afeta o comprador de imóveis ao aumentar o custo do crédito e dificultar o financiamento, mas também impacta negativamente os fornecedores, que precisam acessar o capital de giro para investimentos em maquinário e matéria-prima.

 

“A taxa atual, se persistir em 2026, freará investimentos que refletirão daqui a dois anos. Isso é muito ruim, porque temos uma demanda habitacional de 6 milhões de unidades. A pressão por falta de imóveis causa aumento do aluguel e dificulta a compra pela escassez. Por isso, precisamos reverter essa situação o quanto antes, reduzir a Selic para que os investimentos retornem e possamos ofertar mais produtos no mercado”, disse.

Com um cenário de convergência com a queda na Selic, a estimativa é de crescimento de quase 2% do setor em 2026. Segundo Lafetá, o PIB da construção civil teve um avanço de 1,3% no ano passado, um pouco abaixo da expectativa do mercado.

Para Ricardo Pitchon, sócio-fundador da imobiliária de alto luxo que leva seu sobrenome, a taxa de juros funciona como uma bússola para o mercado imobiliário. O executivo aposta que o mercado responderá com força aos estímulos da economia em 2026 e prevê um crescimento de até 15% em sua empresa.

“A tendência este ano é de queda de juros. Com a taxa caindo, as pessoas têm mais acesso aos financiamentos. Um estudo mostra, por exemplo, que a cada redução de 1% nos juros — atualmente arredondados em 15%, caindo para 14%, são vendidas 160.000 moradias a mais no mercado imobiliário”, destacou.

Já para Alex Veiga, presidente do Grupo Patrimar, empresa que atua na baixa, média e alta renda, 2026 é um ano de “grandes oportunidades” com a redução do custo de capital das construtoras. O empresário destaca que o Brasil possui uma das maiores taxas básicas de juros reais do mundo, que correspondem ao desconto da taxa básica pela inflação, de quase 11%, mas o cenário no geral é favorável à retomada da atividade na construção civil.

“Existe uma tendência mundial de desvalorização do dólar. Isso impacta na inflação. A partir do momento que o dólar cai, a inflação cai de forma muito intensa. Alinhado a isso, temos finalmente a sinalização da queda de juros”, destacou o empresário.

O impacto da Selic é maior na média e alta renda, faixa que só recentemente passou a ter acesso a juros subsidiados por medidas do governo federal e que depende do financiamento via poupança para a compra de imóveis. Segundo explica Eduardo Fischer, CEO da MRV, na baixa renda o financiamento é feito por meio do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no Minha Casa Minha Vida, mas a queda nos juros ainda fortalece o financiamento.

“Quando você olha para o financiamento, para construir e para comprar você vai tomar um crédito no banco, e a referência é sempre a Selic. Então seu crédito vai ser muito mais caro, e como você faz um financiamento por 30 anos, faz uma diferença imensa. É a diferença entre a família conseguir comprar o imóvel ou não. Quando a Selic sinaliza a queda, o mercado imobiliário reage rapidamente”, explicou.

 

Itatiaia

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