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Carnaval em MG reduz furtos de celulares em 65%, mas tem aumento de importunação sexual

Publicada em: 20/02/2026 06:35 -

Queda nos crimes contra o patrimônio marca o Carnaval em MG

O Carnaval em Minas Gerais teve queda expressiva nos crimes patrimoniais, com redução de 65,6% nos furtos de celulares durante a folia no Estado em relação a 2025, segundo dados do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Apesar do recuo, o estado registrou aumento de 33,3% nos casos de importunação sexual. O balanço das ações e dos indicadores de criminalidade registrados, entre 0h de sábado (14/2) e 23h59 de terça-feira (17/2), foram apresentados pelas Forças de Segurança, em coletiva nesta quinta-feira (19/2). 

 

Conforme o levantamento, 579 ocorrências de furto de celulares foram registradas neste ano, contra 1.681 ocorrências em 2025. Em Belo Horizonte, considerada o centro da festa, arrastando 6,5 milhões de foliões no período mais intenso da folia, a redução foi ainda mais. A capital mineira teve queda de 70,6% nos registros, passando de 1.382 em 2025 para 406 em 2026. 

 

Em relação às ocorrências de roubos de celulares, os dados também apontam para queda de 55,7% no estado, saindo de 88 para 39, e de 71,4% na capital, passando de 63 para 18. Para o Comandante-Geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Carlos Frederico, a diminuição é fruto a ampliação de estratégias para diminuir a vulnerabilidade do folião e a prática de criminosos durante a folia.

"O planejamento foi aprimorado e as estratégias ampliadas. Nos fazemos presente desde a chegada do folião ao bloco até a despersação. A presença da PMMG nos cortejos aumentou a sensação de segurança e contribuiu para a diminuição desses dados. Fizemos monitoramento em campo e também por drono, o que aumentou nossa área de vigilância", afirma.

 

Os dados, no entanto, podem ser maiores, já que nem todos as vítimas registram boletim de ocorrência. O secretário de Estado Adjunto de Justiça e Segurança Pública, coronel Edgard Estevo, reforça que pessoas que foram vítimass do crime devem registrar boletim de ocorrência e, posteriormente, usar a Central de Bloqueio de Celulares do Estado de Minas Gerais (Cbloc) para garantir a preservação dos dados. 

"O registro ele é fundamental até porque o mais importante também é a questão da percecução criminal. Então nós temos que ter o registro para que a gente possa ter a investigação, a solução do crime e a penalização. O cidadão ele tem até 10 dias após a subtração pra poder fazer o registro e também ter os seus dados protegidos através do Cebloc", explica. 

 

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), ao bloquear o celular pela plataforma Cbloc, o cidadão protege dados pessoais e ajuda a reduzir roubos e furtos no estado. Com o aparelho inutilizado e sem ativação possível, ele perde valor no mercado ilegal. A ferramenta também permite que lojistas e transportadores bloqueiem dispositivos roubados antes da venda.

 

Importunação sexual em alta

 

Se, por um lado, os foliões contaram com um ambiente mais seguro em relação aos crimes contra o patrimônio, por outro, as mulheres enfrentaram um cenário de maior vulnerabilidade durante o Carnaval em Minas Gerais. No estado, os casos de importunação sexual cresceram 33,3%, passando de 42 para 56 registros.

Para o governo de Minas, no entanto, o aumento não indica, necessariamente, maior incidência desse tipo de crime. De acordo com o Observatório da Segurança Pública da Sejusp, o crescimento reflete a ampliação dos canais de denúncia e a maior conscientização da população, impulsionadas por ações voltadas às mulheres, como a Cabine Rosa, da Polícia Militar, o programa Acolhe Minas, da Sedese, e a campanha “Depois do não, é crime, uai!”, da Polícia Civil.

 

Segundo o secretário adjunto da Sejusp, coronel Estevo, houve ainda avanço no acesso às forças de segurança e na confiança das vítimass em registrar ocorrências. “Sem dúvida, em razão da diminuição de diversos crimes — desde os contra a vida, como homicídio e feminicídio, até os crimes contra o patrimônio, como furto e roubo —, essa estratégia de ampliar o acesso do cidadão às forças de segurança, seja por telefone, presença ou tecnologia, tem restringido a ação criminosa. Ao mesmo tempo, esse acesso ampliado aumenta a confiança das pessoas para denunciar. Por isso, mesmo com a redução de casos de estupro e estupro de vulnerável, houve aumento nos registros de importunação sexual em Minas e queda em Belo Horizonte, refletindo essa maior facilidade de notificação”, afirma.

 

O avanço das notificações ocorre na contramão de outros crimes contra as mulheres, que apresentaram queda no estado. Os casos de estupro de vulnerável recuaram 41,7%, passando de 48 para 28 registros, enquanto os feminicídios diminuíram 25%, de quatro para três ocorrências.

Minas Gerais também registrou redução de 19% nos casos de estupro, que caíram de 21 para 17 no comparativo com 2025. Em Belo Horizonte, o número permaneceu estável, com três ocorrências nos dois últimos Carnavais.

 

De acordo com as Forças de Segurança, os resultados são reflexo de ações integradas de prevenção e combate à violência contra a mulher. Na capital, o trabalho resultou em zero registros de estupro de vulnerável e feminicídio durante o Carnaval de 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizados sete casos de estupro de vulnerável e um feminicídio.

 

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