Especial mostra que a maioria dos agressores é conhecida da vítima e que os crimes acontecem, principalmente, dentro de casa
Chamar homens que cometem violência contra mulheres e crianças de “monstros”, “psicopatas” ou “doentes” pode até reforçar a indignação diante dos crimes, mas também pode atrapalhar o enfrentamento de um problema que atinge mulheres de todas as idades, raças e classes sociais - e que não para de crescer.
Na quarta matéria do especial “O raio-x da violência contra a mulher em Minas Gerais”, produzido pela Itatiaia com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) entre 2010 e 2025, especialistas explicam que, ao tratar o agressor como alguém fora da realidade, distante do convívio social, a sociedade ignora que, na maioria dos casos, ele é um homem comum - presente dentro de casa, nas famílias e nas relações de confiança -, inserido em uma cultura que ainda ensina que a mulher não é vista como ser humano.

Os dados mostram que, após a queda registrada durante a pandemia de Covid-19 - com 29.682 casos em 2020 e 29.020 em 2021 -, a violência contra a mulher voltou a crescer a partir de 2022, até atingir o maior patamar da série histórica em 2025, com 48.846 ocorrências.
O levantamento também indica onde esses casos mais acontecem e reforçam o caráter doméstico desse tipo de crime: a maioria dos registros ocorre dentro de casa, com 329.196 ocorrências em residências, número muito superior ao da via pública, que soma 53.558 casos.
Esse cenário dialoga diretamente com o que aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024: a violência contra a mulher, na maioria das vezes, é cometida por pessoas próximas. Nos casos de feminicídio, por exemplo, cerca de 7 em cada 10 crimes são praticados por parceiros ou ex-parceiros — como maridos, companheiros e namorados.

