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Planalto aposta no Desenrola 2.0 para resgatar popularidade de Lula

Publicada em: 05/05/2026 06:24 -

 

Programa amplia foco do governo nos jovens com renegociação de dívidas do Fies. Lula é desaprovado por 72,3% entre pessoas de 16 a 24 anos

 

O recente programa de renegociação de dívidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Novo Desenrola Brasil, começa a valer a partir desta terça-feira (5/5) e busca reduzir o endividamento recorde dos brasileiros. O tema é tratado como prioridade pelo Palácio do Planalto, com o pacote de medidas entrando em vigor cinco meses antes das eleições.

 

Entre outras ações, Lula aposta no Novo Desenrola como instrumento para tentar recuperar a popularidade, que vem em queda nas sondagens eleitorais.

Segundo a última pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada em 28 de abril, a desaprovação do presidente é de 52,5%. Já a aprovação, de 46,8%.

 

O aumento do endividamento das famílias e a percepção de piora na economia pressionam o chefe do Executivo. De acordo com estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado em 11 de março, o percentual de famílias endividadas chegou a 80,2% em fevereiro — o maior da série histórica.

Dados recentes do Banco Central (BC) mostram que a parcela da renda comprometida com dívidas segue elevada, pressionada principalmente pelos juros altos em modalidades como cartão de crédito e cheque especial.

 

Novo Desenrola

O Novo Desenrola Brasil vai abranger pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105), micro e pequenos empresários, pequenos produtores rurais e estudantes inadimplentes com o Fies. Os detalhes do pacote foram apresentados nessa segunda-feira (4/5), no Palácio do Planalto, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao lado do presidente Lula.

O programa terá duração de 90 dias. Os descontos nas renegociações variam de 30% a 90%, com média estimada em 65%. O governo também prevê a limpeza do nome de pessoas com dívidas de até R$ 100 e os juros fixados em até 1,99% ao mês.

 

Para aderir à modalidade voltada às famílias, é necessário ter dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, em modalidades como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

A projeção do Planalto é beneficiar até 20 milhões de pessoas no grupo das famílias, além de 15 milhões em contratos consignados, 700 mil servidores, 1,5 milhão de estudantes com dívidas no Fies e 800 mil agricultores no Desenrola Rural.

 

O programa prevê que o Fundo de Garantia de Operações (FGO) assegure crédito novo para a renegociação de dívidas. Já trabalhadores com saldo no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderão utilizar até 20% do valor ou até R$ 1 mil — o que for maior — para quitar parcial ou integralmente débitos.


Regras

  • Pelas regras do programa, a dívida renegociada terá descontos que variam de 30% a 90%;
  • Taxa de juro máxima de 1,99% ao mês;
  • Até 48 meses de prazo;
  • Prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
  • Limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;
  • Garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Foco no público jovem

A crescente rejeição ao presidente entre os jovens acendeu um alerta no Planalto e levou o governo a acelerar medidas voltadas a esse público, de olho nas eleições de outubro.

 

Segundo a Atlas/Bloomberg, a desaprovação entre pessoas de 16 a 24 anos é de 72,3%, enquanto a aprovação é de 27,1%. De acordo com o levantamento, a aprovação só supera a desaprovação na faixa etária acima dos 60 anos. Nesse grupo, 63,9% aprovam o presidente, enquanto 35,6% o desaprovam.

 

Nesse contexto, o governo tem adotado ações específicas para beneficiar os mais jovens. Uma delas é o Desenrola Fies, voltado a estudantes com dívidas no programa de financiamento estudantil para cursos de graduação em instituições privadas.

 

No Desenrola Fies, o programa mira dívidas vencidas e não pagas há mais de 90 dias. Nesses casos, se o pagamento for à vista, haverá o desconto da totalidade dos juros e multas e de 12% do principal. Se o beneficiário não conseguir quitar a dívida à vista, poderá parcelar em até 150 vezes, com desconto da totalidade dos juros e multas.

 

Para estudantes fora do CadÚnico com dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias, será oferecido desconto de até 77% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor. Já para estudantes inscritos no CadÚnico, o desconto vai até 99%.

Mais ações para os jovens

 

  • Outra iniciativa recente do governo é o Prêmio Nacional Vozes Periféricas, cujo edital foi lançado nessa segunda-feira, em um evento no Palácio Itamaraty. O programa busca reconhecer o trabalho de músicos e artistas que atuam em batalhas de rima, slams e saraus pelo país.
  • No governo, há uma avaliação que o presidente tem dificuldade de se comunicar com o público mais jovem, o que atrapalha que as ações cheguem até eles. Nesse sentido, o Executivo busca ampliar o contato com comunicadores que conversam com este público.
  • A premiação é uma iniciativa da Secretaria Nacional da Juventude e da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, ambas sob responsabilidade da Secretaria-Geral da Presidência, comandada pelo ministro Guilherme Boulos.

Metropoles

 

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