Projeto-piloto vai avaliar a efetividade, o impacto clínico e o custo do uso de medicamentos à base de GLP-1 no tratamento da obesidade
O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou, nesta sexta-feira (26/6), o uso da semaglutida, princípio ativo de um dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, em pacientes tratados com obesidade. Trata-se de um projeto-piloto e as aplicações serão feitas em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
A previsão é que, ao longo de dois anos, sejam atendidos 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a comorbidades que já são acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), maior rede de hospitais públicos 100% SUS do Sul do Brasil.
Ao longo de dois anos de estudo, serão avaliados indicadores essenciais para compreender como o tratamento pode ser adaptado à realidade do SUS, como o percentual de perda de peso, a evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e os custos dos processos.
Dessa forma, a pesquisa gerará evidências nacionais aplicáveis à prática clínica, contribuindo para orientar decisões assistenciais e subsidiar futuras estratégias de organização da atenção à obesidade grave.
Critérios de participação
Além de já realizarem acompanhamento médico no Grupo Hospitalar Conceição, os pacientes selecionados precisam ter diagnóstico de obesidade estabelecido há pelo menos 12 meses e apresentar falha documentada no tratamento clínico convencional, como dietas estruturadas e prática regular de atividade física por pelo menos dois meses.
Outro requisito é ter capacidade de compreender e realizar a autoaplicação da medicação ou contar com um cuidador para esse procedimento.
Cerimônia de lançamento
Durante a cerimônia de lançamento, nessa sexta, um paciente recebeu a primeira aplicação do medicamento, marcando o início da oferta dessa terapia em um hospital federal.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, presente na cerimônia, destacou que o Brasil está sendo pioneiro na utilização desse medicamento no sistema público de saúde.
"Estamos estimulando estudos nessa tecnologia para que o país aprimore a sua produção e oferta de forma segura. Nesse primeiro momento, ela é muito importante para o diabetes e obesidade, mas pode se estender também a outras doenças crônicas e até mesmo para tratamento de cânceres”, disse.
Ainda não é para todo mundo
Vale lembrar que os medicamentos à base de semaglutida e liraglutida não estão incorporadas no sistema público de saúde.
A eventual incorporação de qualquer tecnologia ao SUS segue os critérios técnicos, científicos e orçamentários estabelecidos, com análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) .
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