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Alergias atingem milhões de brasileiros e pioram no inverno; entenda por quê

Publicada em: 29/06/2026 06:52 -

A rinite alérgica afeta cerca de 30% da população brasileira, enquanto a asma atinge 20%; saiba por que elas são tão comuns no Brasil

 

Espirros em sequência, nariz entupido, tosse persistente e crises de falta de ar costumam se tornar mais frequentes durante o inverno. Para milhões de brasileiros, a chegada das temperaturas mais baixas também significa o agravamento das doenças alérgicas, um problema de saúde que cresce em todo o mundo.

 

 

Elas estão entre as condições crônicas mais comuns do país. A rinite alérgica, por exemplo, afeta cerca de 30% da população brasileira. Entre as crianças, a prevalência chega a 26%, enquanto entre os adolescentes alcança 30%, segundo dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISAAC).

 

Já a asma alérgica atinge aproximadamente 20% dos brasileiros. No mundo, a doença afeta cerca de 260 milhões de pessoas e provoca mais de 450 mil mortes todos os anos.

 

Alta incidência no Brasil

 

Segundo a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia Regional Minas Gerais (ASBAI-MG), Rozana de Fátima Gonçalves, uma combinação de fatores climáticos e ambientais ajuda a explicar a elevada incidência das doenças alérgicas no país.

 

"O Brasil reúne condições favoráveis à proliferação de ácaros e fungos. Temos clima seco no inverno, períodos de chuva e muita umidade no verão, além da maior permanência em ambientes fechados e do menor contato com a natureza", explica a médica.

As mudanças climáticas também têm contribuído para o aumento dos casos, segundo ela. O aquecimento global, as alterações na umidade do ar, a poluição e as mudanças na circulação de partículas alergênicas são fatores que favorecem o desenvolvimento e o agravamento das alergias.

As alergias costumam aparecer ainda nos primeiros anos de vida. Como o sistema imunológico infantil ainda está em desenvolvimento, as crianças se tornam mais vulneráveis aos fatores desencadeantes.

 

Além dos sintomas físicos, as doenças alérgicas podem comprometer a qualidade de vida, prejudicando o sono, a concentração e até o desempenho escolar.

 

Inverno pioram os sintomas

 

Segundo Rozana, ao contrário do que muitos pensam, o frio não causa alergias. O problema está nas mudanças de comportamento e no ambiente. Durante o inverno, as pessoas permanecem mais tempo em locais fechados e pouco ventilados, aumentando a exposição aos principais desencadeantes das crises, que são ácaros, poeira, mofo, vírus respiratórios e poluentes presentes no ambiente. O ar frio e seco também favorece o surgimento de sintomas em pessoas predispostas. 

“O ar seco resseca as mucosas das vias respiratórias, comprometendo sua função de proteção e favorecendo irritação, tosse e o agravamento de doenças como rinite e asma. Além disso, em períodos de baixa umidade, há maior concentração de partículas de poeira suspensas no ambiente, o que aumenta a exposição a alérgenos e agentes infecciosos. Essas partículas podem transportar vírus e outros microrganismos, contribuindo para a maior ocorrência de infecções respiratórias”, afirma a especialista.

 

Com a queda das temperaturas, muitas famílias mantêm portas e janelas fechadas para aquecer os ambientes. No entanto, esse hábito pode piorar a qualidade do ar.

Sem ventilação adequada, aumenta a concentração de poeira, umidade, microrganismos, dióxido de carbono e partículas suspensas, criando um ambiente ideal para crises de rinite e asma.

A orientação dos especialistas é abrir as janelas diariamente, preferencialmente pela manhã, por pelo menos 15 a 30 minutos, mesmo nos dias mais frios.

 

"A renovação do ar é fundamental para reduzir a concentração de alérgenos e melhorar a qualidade do ambiente", destaca Dra. Rozana.

 

Cuidados em casa

 

Para prevenir as crises alérgicas em casa, algumas medidas simples são fundamentais. Manter os ambientes bem ventilados, evitar o acúmulo de poeira e reduzir a umidade excessiva ajudam a diminuir a presença de agentes que desencadeiam as alergias.

Também é importante lavar roupas de inverno, cobertores e edredons antes de utilizá-los, além de usar capas antiácaros em colchões e travesseiros. Outra recomendação é evitar cortinas muito pesadas e objetos que acumulam poeira, criando um ambiente mais saudável e seguro para pessoas alérgicas.

 

Outra dica importante é retirar do armário casacos e cobertores guardados por longos períodos e lavá-los antes do uso, já que esses itens podem acumular grande quantidade de ácaros.

 

Purificadores e desumidificadores

 

Segundo a médica alergologista imunologista, Rozana de Fátima Gonçalves, alguns equipamentos podem ajudar a melhorar a qualidade do ar dentro de casa. “Os aspiradores de pó equipados com filtro HEPA são capazes de reter partículas alergênicas e reduzir a quantidade de poeira em suspensão”, afirma.

Segundo ela, os desumidificadores podem ser aliados importantes em ambientes muito úmidos, ajudando a controlar a proliferação de ácaros e mofo.

 

 

Resfriado x Alergia

 

Embora alergias, resfriados e gripes possam apresentar sintomas semelhantes, algumas características ajudam a diferenciá-los. As alergias costumam provocar espirros frequentes, coceira no nariz e coriza transparente, além de sintomas recorrentes e persistentes, que podem surgir sempre que a pessoa entra em contato com o agente desencadeante.

Já os resfriados geralmente se manifestam com tosse, congestão nasal e mal-estar leve, tendo duração limitada e evolução mais branda. A gripe, por sua vez, tende a ser mais intensa, com início súbito dos sintomas e presença de febre alta, dores no corpo e cansaço importante, podendo comprometer as atividades do dia a dia.

Os especialistas alertam que sintomas como tosse persistente, espirros constantes, coceira na pele e falta de ar não devem ser considerados normais. Além disso, febre persistente, prostração, irritabilidade e dificuldade para respirar exigem avaliação médica.

 

"Alergia é uma doença séria e não uma simples 'frescura'. O diagnóstico não é o fim, mas o início do controle da doença. Seguir o tratamento adequado é fundamental para prevenir crises graves e garantir qualidade de vida", reforça a presidente da ASBAI-MG.

 

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