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Receita Federal realiza a maior apreensão da história de canetas emagrecedoras e ampolas irregulares

Publicada em: 11/07/2026 06:19 -

 

Uma van foi flagrada no final da tarde com 5.850 produtos quando tentava cruzar a Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai

 

A Receita Federal registrou, nesta sexta-feira (10), a maior apreensão de canetas emagrecedoras já feita na aduana internacional da Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR).
Uma van com placas do Paraguai foi flagrada no final da tarde com 5.850 canetas e ampolas de medicamentos para emagrecimento quando tentava cruzar a ponte, na fronteira entre os dois países.

 

 

As canetas emagrecedoras estavam escondidas no capô do veículo, em condições inadequadas de transporte e próximas a fontes de calor. A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, precisa ser mantida em refrigeração para ter eficácia.

 

Segundo a Receita Federal, os servidores do órgão abordaram a van e, aparentemente, todos os passageiros transportavam mercadorias compatíveis com a cota de viajante, de US$ 500 (cerca de R$ 2.555).

 

 

Quando, porém, os agentes de repressão ao contrabando pediram ao motorista para abrir o capô do veículo, ele teria simulado atender a ordem e fugiu em direção ao Paraguai. O compartimento foi, então, aberto e os servidores que atuam na alfândega encontraram as 5.850 ampolas de medicamentos para emagrecimento ocultas sob o capô.

Além da tirzepatida, havia também retatrutida, medicamento ainda em caráter experimental e que oficialmente não existe no mercado em nenhum país do mundo – mas já é encontrado em várias marcas no Paraguai.

 

Até então, a maior apreensão já registrada na região da tríplice fronteira tinha ocorrido em 29 de abril de 2024, quando 4.598 canetas emagrecedoras foram encontradas numa fiscalização na BR-277, rodovia que liga a fronteira à capital do Paraná, Curitiba.

 

Com isso, as apreensões neste ano já somam 115.647 canetas e ampolas, ante as 7.479 de 2025, o que representa um crescimento de 1.446,3% em comparação com o ano passado. No último dia 3, um casal e uma criança já tinham sido flagrados com 2.707 canetas e ampolas de tirzepatida de 15 mg e retatrutida.

 

A apreensão na van somou cerca de R$ 735 mil em medicamentos, conforme a Receita Federal, que apontou uma série de problemas. O primeiro é a irregularidade na importação, já que a entrada no Brasil de todas as marcas de tirzepatida provenientes do Paraguai é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

As canetas emagrecedoras paraguaias, porém, se espalharam pelo país devido ao preço, à facilidade de compra e à fiscalização deficiente na fronteira. O tratamento mensal de Mounjaro de 15 mg (com quatro canetas, para aplicações semanais) custa a partir de R$ 3.499 no Brasil. Para quem compra nas farmácias de Ciudad del Este, no entanto, a versão paraguaia do medicamento custa em média R$ 430.

 

 

Além do ingresso ilegal do produto no país, a Receita afirmou que as canetas eram transportadas em condições incompatíveis com as recomendações da fabricante, que exigem armazenamento refrigerado. Sem isso, qualidade, eficácia e segurança ficam comprometidos.

Os passageiros foram ouvidos e liberados, enquanto as unidades de tirzepatida e o veículo foram encaminhados à alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu para apreensão (da van) e armazenamento para posterior destruição (das canetas).

 

Fabricante do Mounjaro, a farmacêutica Eli Lilly afirma que o medicamento que produz exige controle de temperatura em toda a cadeia, com condições rigorosas de armazenamento, transporte e manuseio. "Quando produtos que alegam conter tirzepatida circulam fora dos canais autorizados e da cadeia de distribuição regulada, não há garantia de que esses requisitos foram cumpridos", diz a empresa.

 

 

As canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade.

Entidades médicas apontam riscos à saúde com o uso de medicamentos que não têm aval da Anvisa. Há duas apresentações do medicamento no Paraguai: em canetas e em ampolas, que ocupam menos espaço e por isso têm a preferência de pequenos e grandes contrabandistas para ingresso no Brasil.

 

(Marcelo Toledo/Folhapress) o tempo

 

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