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PCC já atua como máfia e tem presença consolidada na Europa, alerta promotor do MPSP

Publicada em: 24/07/2026 07:24 -

 

Com estrutura replicada no exterior, facção paulista atinge 28 países e controla o envio de cerca de 90% da cocaína marítima para o continente europeu

 

O Primeiro Comando da Capital (PCC) deixou de ser apenas uma organização criminosa regional para se consolidar como uma verdadeira máfia de alcance internacional, já firmemente estabelecida no continente europeu. O alerta foi feito pelo promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), durante a "Conferência de Consenso", evento que reuniu autoridades judiciais e de segurança do Brasil e da Itália nesta quinta-feira (23).

Segundo o promotor, considerado uma das maiores autoridades do país na investigação do crime organizado, a facção paulista reproduz no exterior exatamente o mesmo modelo hierárquico e organizacional utilizado no Brasil. Na Europa, especialmente em países como a Itália, o grupo atua por meio de "sintonias" locais e realiza o batismo de novos integrantes, chamados internamente de "irmãos".

"O PCC tem todas as características de uma máfia, algo que venho defendendo há anos no Brasil. A facção já está estabelecida em países europeus e atua com uma estrutura consolidada no continente", afirmou Gakiya.

Alcance global e controle do narcotráfico

Estudos de inteligência apresentados no encontro revelam a extensão da penetração do PCC no cenário internacional:

  • Presença global: a atuação discreta e silenciosa permitiu à facção estender suas operações a 28 países.

  • Domínio de rotas: o PCC é estimado como responsável direto pelo envio de cerca de 90% da cocaína que chega à Europa por vias marítimas.

  • Domínio territorial: dados expostos indicam que aproximadamente 33% do território nacional brasileiro sofre algum grau de domínio por organizações criminosas.

  • Gakiya ressaltou ainda que o Comando Vermelho (CV) também se enquadra no conceito técnico de organização mafiosa, em razão de sua expansão internacional, sofisticação financeira e tentativas sistemáticas de infiltração nas estruturas do poder público.

    Cooperação internacional e combate em rede

    A consolidação do PCC em solo europeu motivou o fortalecimento do intercâmbio de informações de inteligência e dados financeiros entre o Ministério Público de São Paulo e a Procuradoria Nacional da Itália. Com a ampliação dessa cooperação transnacional, investigações conjuntas estão em andamento para deflagrar operações policiais tanto na Itália quanto no Brasil.

    Para o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, o nível atual de sofisticação do crime organizado representa uma ameaça direta às instituições democráticas. "O crime organizado nunca esteve em um nível tão elevado. O enquadramento dessas facções como organizações mafiosas decorre justamente de sua atuação internacional e poder econômico", destacou.

  • O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reforçou a necessidade de resposta estatal integrada:

  • "O Estado precisa aprender cada vez mais a trabalhar em rede. Nenhuma organização criminosa pode ser mais forte do que as forças de segurança integradas", declarou o ministro.

  • Representando o governo italiano, o assessor jurídico Giovanni Tartaglia pontuou que o cenário atual reflete uma "geopolítica criminal global", em que grupos criminosos passam por uma contínua metamorfose para se infiltrar na economia formal e na política. Já o ex-ministro do STF Francisco Rezek concluiu reforçando o "prestígio amargo" que o PCC conquistou no submundo do crime mundial, tornando indispensável o combate articulado entre as nações.

CNN BRASIL

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