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Mapa do crime: 40 facções têm integrantes em presídios federais e custo passa de R$ 279 milhões por ano

Publicada em: 27/07/2026 07:17 -

 

Levantamento revela presença de grandes organizações criminosas nas unidades federais e mostra aumento dos gastos com presos de alta periculosidade

 

As cinco penitenciárias federais de segurança máxima do Brasil abrigam atualmente integrantes de 40 facções criminosas, entre organizações de atuação nacional, grupos regionais e até uma máfia internacional.

O levantamento traça um panorama das organizações criminosas que possuem integrantes custodiados no Sistema Penitenciário Federal e revela que, atualmente, 461 presos possuem vínculo identificado com facções criminosas.

Desse total, 159 são classificados como lideranças de organizações criminosas em âmbito regional ou nacional.

Esses presos estão distribuídos nas cinco unidades federais de segurança máxima localizadas em Brasília (DF), Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO).

O sistema foi criado para receber presos considerados de alta periculosidade, principalmente chefes de organizações criminosas que possuem capacidade de influenciar ações criminosas mesmo estando presos.

 

PCC, Comando Vermelho e grupos regionais aparecem entre organizações identificadas

 

A relação divulgada pela Polícia Penal Federal confirma a presença das duas maiores facções criminosas do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Além delas, o levantamento aponta integrantes de diversas outras organizações, como:

  • Família do Norte (FDN);

  • Guardiões do Estado (GDE);

  • Bonde do Maluco;

  • Bonde dos 40;

  • Sindicato do Crime;

  • Primeiro Grupo Catarinense;

  • Nova Okaida;

  • Bala na Cara;

  • Terceiro Comando Puro (TCP);

  • grupos ligados a milícias.

Também aparece entre as organizações identificadas a ’Ndrangheta, considerada uma das maiores organizações mafiosas do mundo, com origem na região da Calábria, na Itália.

 

Presídios federais mantêm separação entre integrantes de facções

 

Segundo informações da Secretaria Nacional de Políticas Penais, os presos são separados conforme o vínculo com as organizações criminosas.

A medida segue critérios previstos na Lei de Execução Penal e tem como objetivo preservar a segurança das unidades e evitar confrontos entre grupos rivais.

De acordo com o órgão, desde a criação do Sistema Penitenciário Federal, não foram registrados homicídios ou rebeliões motivados por disputas entre facções dentro das penitenciárias federais de segurança máxima.

A Secretaria informou também que não existem registros de conflitos entre grupos criminosos rivais dentro dessas unidades.

 

Custo para manter presos de alta periculosidade ultrapassa R$ 279 milhões por ano

 

Além do desafio de segurança, o Sistema Penitenciário Federal representa um alto custo para os cofres públicos.

Dados mostram que o gasto médio anual por preso chegou a R$ 46.462,44 em 2025, o maior valor registrado desde o início da série histórica, em 2020.

 

A evolução dos custos por detento foi:

  • 2020: R$ 25.256,83;

  • 2021: R$ 31.294,71;

  • 2022: R$ 39.724,26;

  • 2023: R$ 43.783,41;

  • 2024: R$ 41.861,52;

  • 2025: R$ 46.462,44.

Nos primeiros meses de 2026, o custo anualizado informado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais foi de R$ 46.208,88 por preso.

 

Gastos totais do sistema aumentaram nos últimos anos

 

As despesas gerais das cinco penitenciárias federais também cresceram.

Em 2021, o gasto total foi de aproximadamente R$ 191,9 milhões.

Nos anos seguintes, os valores foram:

  • 2022: R$ 225 milhões;

  • 2023: R$ 256,2 milhões;

  • 2024: R$ 239,3 milhões;

  • 2025: R$ 279,3 milhões.

Somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, os gastos já alcançavam R$ 51,9 milhões.

 

 

Sistema concentra principais lideranças do crime organizado

 

Dos 461 presos ligados a facções criminosas, 159 possuem função de liderança, representando aproximadamente um terço desse grupo.

Esses líderes são considerados peças estratégicas dentro das organizações criminosas e, por isso, são mantidos em unidades federais onde há maior controle de comunicação, movimentação e convivência.

O objetivo das autoridades é impedir que esses presos continuem coordenando ações criminosas fora das unidades prisionais.

 

Informações estratégicas continuam sob sigilo

 

Apesar da divulgação da quantidade de presos ligados às facções e da lista de organizações identificadas, alguns dados permanecem restritos.

A Polícia Penal Federal informou que relatórios detalhados sobre o funcionamento das organizações criminosas, divisão dos presos por facção ao longo dos anos, protocolos de inteligência e estratégias de segurança não foram divulgados.

Segundo o órgão, essas informações possuem caráter estratégico e poderiam comprometer ações de inteligência e combate ao crime organizado.

 

Fonte: Metrópoles

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