Na busca por autonomia, flexibilidade e satisfação com a vida profissional, país vive crescimento histórico de jovens empreendedores
Há quem prefira trocar o primeiro emprego CLT pela primeira empresa. No Brasil, essa vontade cresce de forma latente e os dados comprovam. A 15ª pesquisa Next Generation Brasil, realizada pelo British Council, revela que sete em cada dez jovens no país (70%) pretendem empreender nos próximos cinco anos em busca por autonomia, flexibilidade e satisfação. Nas grandes cidades, 72% dos jovens têm planos quanto à vida empreendendora. Já nas favelas este desejo é manifestado por 70% e em áreas rurais por 69% dos entrevistados.
Maria Luiza Alves, 29 anos, é um destes retratos da Geração CNPJ, tema da reportagem especial para o YouTube da Itatiaia, idealizada pela repórter Giovanna Minarrini. O especial mergulha nas histórias de quem encontra no empreendedorismo um propósito de vida frente à carreira com carteira assinada.
Desde a adolescência, incentivada pela família materna a ter contato com o mercado de trabalho, ela relembra como tudo começou até chegar ao título de proprietária da Cafeteria Afeto. "Eu comecei a fazer bombom na escola quando eu tinha 13 anos de idade. [...] Como a gente nunca teve dinheiro para fazer as coisas, para eu ter as minhas coisinhas, eu tinha que fazer isso", relata.
Fundação CDL, que atua como o braço social da Câmara de Dirigentes Logistas de Belo Horizonte, também cruzou o caminho de Maria Luiza e é citada como ponto chave em sua trajetória profissional. Como ex- aluna do Programa Educação e Trabalho (PET), ela conta que esta experiência que lhe despertou a "vontade de trabalhar" aos 16 anos e, para o presidente da instituição, Vilson Mayrink, este é mais do que o propósito da instituição.
"Em todos os projetos, nós fazemos essa pergunta: 'Estou ajudando pessoas a transformar vulnerabilidade em protagonismo?'. Isso é o mais importante na vida das pessoas", afirma Mayrink.
De acordo com a Fundação CDL, o PET já impactou cerca de 27,5 mil jovens no processo introdutório. Desses, cerca de 17 mil foram para o mercado de trabalho como aprendiz e, um a cada quatro jovens, foram efetivados. Neste ano, a iniciativa que nasceu de comerciantes do Centro de Belo Horizonte e associados da CDL, completa 40 anos em atividade.
Crescimento histórico
Dados inéditos fornecidos pelo Sebrae Minas revelam que o total de pequenos negócios sob o comando da faixa etária jovem (18 a 29 anos) já ultrapassam de 511 mil no Estado no primeiro trimestre de 2026.
Para Rachel Dornelas, que é analista de Educação Empreendendora do Sebrae Minas, este crescimento histórico pode ser explicado pela digitalização. "Eles têm mais acesso à informação, tem menos barreiras para se empreender. Então eles estão entendendo que tem outras possibilidades além da carreira CLT."
O professor de sociologia da UFMG, José Alexandre Neves, vai ainda mais a fundo para explicar este fenômeno que está ligada a uma mudança de mentalidade quanto o que os Millenials e Gen Z consideram um bom emprego.
"O empreendedorismo individual virou uma forma que os trabalhadores brasileiros tem de pressionar o mercado de trabalho formal, por uma melhoria das condições de trabalho", pontuou Neves.
Seja por oportunidade ou necessidade, o empreendedorismo deixou de ser uma opção quando os jovens estão insatisfeitos ou sem colocação no mercado de trabalho. Para aprofundar nestas realidades, a reportagem especial também conta a história de Pedro Henrique Duarte, 22 anos, Giovana Rodrigues, 23 anos. Ele, começou vendendo picolés em um carrinho e, hoje, é proprietário de uma sorveteria em uma das principais avenidas de Contagem (RMBH). Já ela, proprietária de um salão de tranças afro frequentado até por jogador da Seleção Brasileira.
Confira a reportagem completa aqui:
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