Mais opções e possível redução de preços
O Brasil está caminhando para ampliar significativamente a oferta de medicamentos injetáveis conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. A expectativa é que, até o fim do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprove o registro de até 8 novos medicamentos desse tipo.
Com essas novas autorizações, o país poderá chegar a 29 opções de canetas regularizadas para comercialização, importação e uso. Caso outros 5 processos também sejam aprovados futuramente, o número pode chegar a 34 medicamentos disponíveis.
A ampliação da concorrência deve ajudar a reduzir os preços e facilitar o acesso dos pacientes, além de diminuir o interesse por produtos contrabandeados ou vendidos de forma irregular.
Semaglutida é principal destaque entre os novos registros
Até o momento, a Anvisa já aprovou 6 pedidos de registro de novos medicamentos. Cinco dessas aprovações ocorreram recentemente e todos possuem como princípio ativo a semaglutida produzida por via sintética.
A semaglutida é uma substância criada em laboratório que imita a ação do hormônio GLP-1, que participa do controle da glicose no organismo, estimula a produção de insulina e ajuda na sensação de saciedade.
Entre os medicamentos aprovados estão:
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Orsema, da Ranbaxy;
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Owozy, da Ávita Care;
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Seemasun, da Sun Pharma;
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Semavy, da Cosmed;
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Zempneo, da Brainfarma.
Atualmente, o Brasil já possui 21 canetas autorizadas, incluindo medicamentos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida, como o Mounjaro.
Uso para emagrecimento e tratamento da obesidade
Apesar de muitos desses medicamentos terem registro inicial para tratamento do diabetes tipo 2, alguns passaram a ser utilizados no combate à obesidade com indicação médica.
Esse uso ocorre quando o medicamento é prescrito para uma finalidade diferente da prevista inicialmente na bula, prática conhecida como uso fora da indicação original.
O aumento da procura por essas canetas aconteceu principalmente pelo efeito relacionado à redução do apetite e controle da saciedade.
Brasil pode ter maior concorrência do mercado mundial
Com o crescimento do número de medicamentos autorizados, o Brasil pode se tornar um dos países com maior concorrência no mercado de medicamentos chamados agonistas de GLP-1.
A avaliação é de que mais opções regularizadas podem trazer benefícios para os consumidores, principalmente pela possibilidade de redução dos preços.
Outro objetivo é combater o mercado clandestino, que cresceu nos últimos anos devido à alta procura.
A Anvisa informou que trabalha em parceria com a Polícia Federal e também busca cooperação com o governo do Paraguai, apontado como uma das principais origens de produtos ilegais.
Aumento das apreensões de produtos irregulares
Dados da Receita Federal em Foz do Iguaçu apontam que as apreensões de medicamentos dessa classe aumentaram cerca de 1.000% em um ano.
Para combater esse problema, a Anvisa prepara medidas para aumentar o controle sobre importação e manipulação dessas canetas.
Entre as propostas estão:
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Exigir critérios de qualidade para importação do ingrediente farmacêutico ativo;
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Solicitar certificados de boas práticas de fabricação das empresas responsáveis pela produção;
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Criar um sistema de acompanhamento de possíveis efeitos adversos relacionados ao uso de canetas manipuladas.
As novas regras ainda estão em discussão dentro da agência.
Anvisa acelera análise de medicamentos
O aumento das aprovações faz parte de um processo de aceleração das análises realizadas pela Anvisa.
No primeiro semestre de 2026, a agência registrou aumento no número de processos concluídos. No caso dos medicamentos sintéticos, foram 261 análises finalizadas entre janeiro e junho, contra 86 no mesmo período de 2025 e 115 em 2024.
A expectativa da agência é reduzir a fila de pedidos pendentes e, até o fim do ano, eliminar esse estoque de processos para concentrar esforços em novas áreas de inovação.
Incentivo à inovação na área da saúde
Além dos novos medicamentos, a Anvisa também trabalha em projetos para estimular a criação de novas tecnologias na área da saúde.
A agência deve selecionar 10 projetos de dispositivos médicos que receberão acompanhamento técnico durante todas as etapas, desde o desenvolvimento até a chegada ao mercado.
Metade das vagas será destinada a projetos nacionais, com o objetivo de aproximar a Anvisa de universidades e centros de inovação brasileiros.
Uma primeira edição do projeto foi realizada em 2023, quando 10 iniciativas foram selecionadas entre 107 propostas inscritas.
Orientação aos pacientes
Especialistas reforçam que esses medicamentos devem ser utilizados somente com acompanhamento profissional.
A autorização da Anvisa garante que o produto passou por avaliação de segurança e eficácia, mas o uso sem orientação pode trazer riscos.
A recomendação é evitar produtos vendidos sem procedência, principalmente aqueles oferecidos em redes sociais ou por canais desconhecidos. O paciente deve sempre buscar medicamentos regularizados e seguir orientação adequada antes de iniciar qualquer tratamento.
Rádio Caparaó com informações da Itatiaia e correio braziliense
