Lançamento do clipe de “petal”, na última sexta-feira (31/7), movimentou as redes sociais e deixou muitos fãs da artista preocupados
Ariana Grande tem sido alvo de uma série de comentários desde o lançamento do clipe de “petal”, na última sexta-feira (31/7). A enxurrada de críticas, que culminou com o afastamento da artista dos holofotes, é direcionada, principalmente, ao corpo da cantora, considerado extremamente magro.
“Em que momento alguém vai intervir para ajudar? Ela está definhando”, questionou uma pessoa no YouTube, na sessão de comentários do videoclipe. “Eu rezo para que a Ariana receba a ajuda que ela precisa desesperadamente”, escreveu outro fã da artista. “Não é normal conseguir ver as costelas, os ossos e os tendões de alguém com tanta clareza... ela tem um talento e uma voz belíssima, espero que as pessoas ao seu redor a ajudem a perceber o perigo que ela corre”, disse uma terceira pessoa.
Outros internautas foram mais longe, sugerindo que a artista de 33 anos estaria enfrentando algum transtorno alimentar. Embora nem a cantora ou sua equipe tenham confirmado qualquer problema de saúde, as imagens recentes da artista acenderam o debate sobre esse tipo de doença. “Nós não sabemos o que acontece com a Ariana Grande e seria irresponsável tentar fazer qualquer diagnóstico olhando apenas para a aparência dela”, ressalta a psicóloga Juliana Pereira. Ela pontua, porém, que quando um corpo chama tanta a atenção, surge a oportunidade de debater sobre o tema de forma séria, explicando que transtornos alimentares não são uma escolha, nem uma questão de vaidade ou força de vontade.
No caso de pessoas que realmente enfrentam algum transtorno alimentar, Juliana destaca que o maior erro é esperar que o problema fique visível para tomar alguma atitude. “Muita gente imagina que só existe transtorno alimentar quando a pessoa está extremamente magra, e isso não é verdade. O sofrimento costuma começar muito antes de qualquer mudança física importante”, explica. “Quando alguém passa a viver em função da comida, das calorias, da balança ou da própria aparência, já existe um sinal de alerta. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhores costumam ser os resultados”, acrescenta.
A psicóloga explica que o acompanhamento de uma pessoa com algum transtorno alimentar precisa envolver uma equipe multiprofissional, já que a doença afeta tanto o corpo quanto a saúde mental. “A psicoterapia ajuda a compreender o que aquele transtorno está tentando comunicar. Muitas vezes, a relação difícil com a comida é apenas a parte visível de um sofrimento emocional muito mais profundo”, diz.
Quais os sinais de um transtorno alimentar?
Algumas mudanças no comportamento podem indicar a necessidade de buscar ajuda. De acordo com a psicóloga, atitudes como evitar refeições em família, cortar grupos inteiros de alimento sem indicação médica ou falar continuamente sobre o peso e calorias são alguns deles. Além disso, a prática intensificada e exagerada de exercícios físicos e o desconforto constante com a própria aparência também são indicativos de que algo está errado. “Também é comum o humor mudar. Ela pode ficar mais irritada, mais isolada e evitar situações que envolvam comida”, acrescenta.
A orientação para quem está perto é entender que confrontos ou críticas dificilmente vão ajudar. “Frases como ‘é só comer’ ou ‘você está exagerando’ costumam aumentar a culpa e fazer a pessoa se fechar ainda mais. O melhor caminho é demonstrar preocupação genuína, oferecer escuta e incentivar a procura por ajuda profissional. Às vezes, o maior apoio que alguém pode receber é perceber que não precisa enfrentar aquilo sozinho”, elucida.
Outros sinais também podem ser notados a depender do tipo de transtorno. Segundo o Hospital Albert Einstein, doenças como a anorexia nervosa, que é caracterizada pela privação de alimentos, também podem incluir sintomas graves como anemia, inibição menstrual, no caso de mulheres, hipotermia e distorção da própria imagem. Já a bulimia pode causar problemas gastrointestinais e desidratação.
Sinais de alerta para transtornos alimentares:
- Evitar fazer refeições em família ou em grupo;
- Cortar grupos inteiros de alimentos sem orientação médica;
- Falar constantemente sobre peso, calorias ou emagrecimento;
- Praticar exercícios físicos de forma intensa e exagerada;
- Demonstrar insatisfação ou desconforto constante com a própria aparência;
- Apresentar mudanças de humor, como irritabilidade;
- Isolar-se socialmente, especialmente em situações que envolvem comida.
- Restrição extrema da alimentação;
- Anemia;
- Ausência da menstruação (amenorreia), em mulheres;
- Hipotermia;
- Distorção da própria imagem corporal.
- Problemas gastrointestinais;
- Desidratação.
Quais são os tipos de transtorno alimentar mais comuns?
Ainda conforme o Albert Einstein, três tipos de transtornos são os mais comuns: a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar periódica.
A anorexia nervosa está relacionada ao medo compulsivo de ganhar peso. Pessoas com essa condição se recusam a comer, além de distorcerem a própria imagem e se enxergarem muito acima do peso. A bulimia, por outro lado, envolve a ingestão de comida de forma desordenada por uma compulsão alimentar. Porém, após a ingestão, o enfermo tem atitudes para compensar o que foi ingerido, o que pode incluir provocar vômitos, exercitar-se em excesso ou usar laxantes com frequência.
Por fim, o transtorno de compulsão alimentar periódica, é caracterizado pelo consumo excessivo de alimentos. Diferentemente do que ocorre na bulimia, o paciente não tem comportamentos compensatórios. Por essa razão, pode acontecer um aumento de peso considerável e obesidade.
Como é o tratamento para transtorno alimentar?
Conforme o Albert Einstein, o tratamento é feito através de uma investigação realizada individualmente, variando de acordo com a gravidade e histórico do paciente. Normalmente, é feito de forma multidisciplinar, envolvendo psicólogos, psiquiatras e nutricionistas na rede de tratamento.
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