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Excesso de telas: 8 sinais de que o celular e redes sociais podem estar afetando a saúde

Publicada em: 17/08/2026 07:10 -

 

Especialistas explicam como identificar quando a utilização de dispositivos deixa de ser saudável e começa a interferir na rotina

 

O celular, as redes sociais e outros dispositivos eletrônicos fazem parte da rotina de crianças, adolescentes e adultos. Mas como saber quando o tempo diante das telas deixa de ser apenas um hábito e começa a afetar a saúde e o bem-estar?

Segundo especialistas ouvidos pelo site argentino Infobae, a quantidade de horas conectada não é o único fator que deve ser observado. O mais importante é perceber se o uso da tecnologia está provocando mudanças no comportamento ou prejudicando atividades importantes do dia a dia.

“Para detectar quando a tecnologia deixa de ser um hábito de entretenimento e se converte em um problema de saúde, é fundamental observar tanto o comportamento quanto os dados locais”, explicou o médico psiquiatra infantojuvenil Andrés Luccisano, do Hospital Italiano de Buenos Aires.

Um levantamento realizado na Argentina pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mostra a dimensão do fenômeno. Segundo o estudo 'Kids Online Argentina 2025', 95% dos menores entre 9 e 17 anos têm celular próprio. Além disso, 46% dos jovens entrevistados percebem algum uso problemático do telefone, dos videogames ou das redes sociais.

 

O problema não é apenas o tempo de tela

As plataformas digitais são desenvolvidas para manter a atenção do usuário. Rolagem infinita, notificações e recompensas imprevisíveis podem estimular a busca constante por novos conteúdos.

Entre os comportamentos associados a esse tipo de relação estão o Fomo (medo de ficar de fora de alguma coisa), o doomscrolling (caracterizado pelo consumo contínuo de conteúdos negativos), e a nomofobia (termo usado para descrever a ansiedade relacionada à falta de acesso ao celular).

O neurologista Guido Dorman ressalta, porém, que passar muitas horas diante de uma tela não significa necessariamente ter uma relação problemática com a tecnologia.

“Uma pessoa pode passar muitas horas frente a uma tela por trabalho e ter uma relação perfeitamente saudável com a tecnologia”, afirmou.

Para o especialista, o sinal de alerta aparece principalmente quando existe perda de controle. A pessoa tenta diminuir o uso, mas não consegue, começa a priorizar o dispositivo em relação a outras atividades importantes e continua conectada mesmo percebendo consequências negativas.

O que observar em crianças e adolescentes

Entre os principais sinais que merecem atenção estão mudanças na rotina e no comportamento. A sobreexposição pode estar relacionada à perda de interesse por atividades presenciais, dificuldades para se desconectar, alterações no sono e problemas na convivência com familiares e amigos.

Outro ponto importante é observar se o celular começa a ocupar o espaço de experiências fundamentais para o desenvolvimento, como brincadeiras, atividades físicas, convivência presencial e momentos de descanso.

Luccisano também chama atenção para a relação entre conexão digital e tolerância ao tédio. O telefone pode funcionar como uma espécie de “praça pública” para crianças e adolescentes, mas a ansiedade provocada pela desconexão ou pelo medo de ficar de fora pode indicar uma relação menos saudável com a tecnologia.

Quando procurar ajuda

A principal orientação dos especialistas é não avaliar a situação apenas pelo relógio. Duas pessoas podem passar o mesmo período diante de uma tela e apresentar impactos completamente diferentes.

O mais importante é observar se o uso interfere no sono, nos estudos, nas relações familiares, nas amizades, no lazer ou em outras atividades importantes. Quando isso acontece de maneira persistente, pode ser importante conversar com os responsáveis e buscar orientação de um profissional de saúde.

 

Itatiaia

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