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Luto na TV: morrem Glória Menezes, Laura Cardoso e Pablo do “Qual É a Música?”

Luto na TV: morrem Glória Menezes, Laura Cardoso e Pablo do “Qual É a Música?”

Brasil perde duas gigantes da televisão: Glória Menezes e Laura Cardoso morrem em dias consecutivos

A cultura brasileira viveu, entre segunda-feira e terça-feira, uma das despedidas mais marcantes dos últimos anos. Em um intervalo de apenas dois dias, o país perdeu Laura Cardoso, aos 98 anos, e Glória Menezes, aos 91. As duas atrizes ajudaram a construir a história da televisão brasileira e deixaram carreiras que atravessam gerações.

Laura Cardoso morreu na noite de segunda-feira, 17 de agosto, em São Paulo. Segundo informações divulgadas pela família, a atriz estava em casa e morreu de causas naturais. A confirmação foi feita durante a madrugada de terça-feira por Fernando Faria, bisneto da artista e responsável por suas redes sociais. Laura deixa as filhas Fernanda e Fátima e três netos. 

Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos, em sua residência no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família. De acordo com informações divulgadas posteriormente pela equipe da atriz, a causa foi natural. 

As mortes ocorreram em um momento simbólico para a dramaturgia nacional. Laura e Glória pertencem à geração de artistas que ajudou a consolidar a televisão como um dos principais meios de entretenimento e cultura do país. As duas começaram suas carreiras ainda nos primeiros anos da televisão brasileira e permaneceram em atividade por mais de seis décadas.

 

Duas pioneiras de uma televisão que estava começando

Laura Cardoso iniciou sua carreira artística em 1952, no programa "Tribunal do Coração", da recém-inaugurada TV Tupi. Desde então, construiu uma trajetória marcada pelo teatro, pelo cinema e, principalmente, pela televisão.

Glória Menezes começou a carreira artística no teatro e chegou à televisão em 1959, em "Um Lugar ao Sol". Também passou pela TV Tupi e, posteriormente, ganhou projeção nacional com trabalhos que se tornaram referências da teledramaturgia brasileira.

Embora tenham pertencido à mesma geração e trabalhado em diferentes momentos da televisão, Laura e Glória dividiram as telas em poucas oportunidades. Entre os trabalhos que reuniram as duas estão "Um Lugar ao Sol", ainda no início da trajetória de Glória, e "Senhora do Destino", produção da TV Globo exibida décadas depois. 

A coincidência das despedidas chamou a atenção de artistas e do público. A atriz Lilia Cabral destacou a importância das duas como referências para novas gerações de profissionais da dramaturgia. A perda simultânea de duas figuras tão importantes foi recebida como o fim de um capítulo de uma era da televisão brasileira. 

 

Glória Menezes: seis décadas dedicadas à arte

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes recebeu o nome de Nilcedes Soares de Magalhães. O nome artístico surgiu posteriormente e acompanhou uma carreira que ultrapassou seis décadas.

A atriz teve uma trajetória diversificada. Começou no teatro, passou pelo cinema e encontrou na televisão o espaço que a transformaria em um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira.

No cinema, um de seus primeiros trabalhos de destaque foi "O Pagador de Promessas", dirigido por Anselmo Duarte. O filme conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962, tornando-se um dos grandes clássicos do cinema brasileiro. 

Na televisão, Glória participou de produções que marcaram diferentes períodos da dramaturgia. Entre elas estão "2-5499 Ocupado", "A Deusa Vencida", "Sangue e Areia", "Irmãos Coragem", "Cavalo de Aço", "Jogo da Vida", "Guerra dos Sexos", "Brega & Chique", "Deus nos Acuda", "A Próxima Vítima", "Torre de Babel", "O Beijo do Vampiro", "Senhora do Destino" e "A Favorita". 

Um dos papéis mais lembrados da atriz foi Laurinha Figueiroa, em "Rainha da Sucata", de 1990. A personagem permitiu que Glória explorasse com grande sucesso o humor e o lado mais irreverente da interpretação, depois de anos associada principalmente a personagens dramáticos.

Glória também enfrentou grandes desafios profissionais. Em diferentes momentos, chegou a raspar a cabeça para interpretar personagens no teatro e na televisão. Em "Jóia Rara", viveu uma monja tibetana, enquanto no teatro participou de "Jornada de um Poema", espetáculo em que interpretava uma professora que enfrentava um câncer. 

No teatro, um de seus trabalhos mais lembrados nos últimos anos foi "Ensina-Me a Viver", dirigido por João Falcão, apresentado em 2013.

No cinema, depois de um longo período afastada das telas, Glória voltou a participar do filme "Se Eu Fosse Você", em 2006. Seu último trabalho em uma novela foi "Totalmente Demais", em 2015, na pele de Stelinha. Depois disso, passou a ter uma vida cada vez mais reservada. 

 

Uma história de amor com Tarcísio Meira

A carreira de Glória Menezes também ficou profundamente ligada à de Tarcísio Meira. Os dois formaram um dos casais mais conhecidos da televisão brasileira, tanto pela vida pessoal quanto pela parceria profissional.

Eles se conheceram no ambiente de trabalho e construíram uma relação que se estendeu por décadas. O casal se casou em 1962 e permaneceu junto por 59 anos, até a morte de Tarcísio Meira, em 2021. 

Na televisão, os dois atuaram juntos em produções como "2-5499 Ocupado", "A Deusa Vencida", "Sangue e Areia", "Irmãos Coragem" e "Cavalo de Aço". A parceria ultrapassou os limites da ficção e se tornou uma das histórias de amor mais conhecidas da televisão brasileira.

Glória e Tarcísio tiveram um filho, Tarcísio Filho, que também seguiu carreira como ator. Glória era ainda mãe de Maria Amélia e João Paulo, filhos de um relacionamento anterior. 

A morte de Tarcísio, em 2021, marcou profundamente a vida da atriz. Cinco anos depois, Glória também se despede, encerrando uma trajetória artística que ajudou a definir a dramaturgia brasileira.

 

Laura Cardoso: uma carreira que atravessou gerações

Laura Cardoso foi uma das pioneiras da televisão no Brasil. Sua carreira começou ainda na década de 1950, quando a televisão dava os primeiros passos no país.

Ao longo de mais de seis décadas, a atriz construiu uma das filmografias mais extensas da dramaturgia brasileira e acumulou uma quantidade impressionante de trabalhos em novelas, séries, teatro e cinema.

Sua trajetória foi marcada pela capacidade de interpretar personagens dos mais diferentes perfis. Laura transitou entre o drama, a comédia e personagens de grande carga emocional, tornando-se uma referência para atores de diferentes gerações.

A atriz permaneceu próxima do público mesmo depois de reduzir sua participação em novelas. Seu último trabalho em uma produção televisiva foi uma participação na tradicional vinheta de fim de ano exibida em 2025. Na ocasião, ela apareceu ao lado do bisneto Fernando. 

Um dos últimos trabalhos de Laura em novelas foi "A Dona do Pedaço", em 2019, quando interpretou Matilde. A personagem, uma idosa com Alzheimer, guardava informações importantes para o desenvolvimento da trama. 

Laura também continuou ligada ao cinema e a outros projetos artísticos mesmo depois de se afastar das novelas. Em 2025, protagonizou o curta-metragem "Dona Rosinha", mostrando que sua relação com a arte permaneceu ativa até os últimos anos de vida.

 

Despedida de colegas e amigos

A notícia da morte de Laura provocou uma onda de homenagens entre artistas que trabalharam com ela ao longo de décadas.

Entre as mensagens mais emocionadas esteve a de Ary Fontoura, de 93 anos. O ator publicou uma fotografia ao lado de Laura e destacou a amizade construída entre os dois ao longo da carreira. 

A despedida de Ary refletiu o sentimento de muitos colegas que conviveram com Laura durante décadas: a perda de uma artista que não era apenas uma referência profissional, mas também uma presença afetiva nos bastidores da televisão.

A morte de Glória, ocorrida apenas um dia depois, ampliou a sensação de perda no meio artístico. Em pouco mais de 24 horas, duas das principais representantes de uma geração que ajudou a estabelecer a dramaturgia brasileira deixaram o público.

 

O fim de uma era

A morte de Laura Cardoso e Glória Menezes em dias consecutivos tem um significado que vai além da despedida de duas grandes atrizes.

As duas representam uma geração que acompanhou as transformações da televisão brasileira desde os primeiros anos. Elas passaram pela televisão ao vivo, pelas mudanças tecnológicas, pela consolidação das novelas como fenômeno nacional e pela transformação da indústria audiovisual.

Mais do que acumular personagens e produções, Laura e Glória ajudaram a estabelecer uma maneira brasileira de interpretar e contar histórias.

Suas trajetórias atravessaram diferentes gerações de espectadores. Para muitos brasileiros, os rostos das duas atrizes estão associados a personagens, novelas e momentos que fizeram parte da memória familiar.

Agora, com a morte de Laura Cardoso, aos 98 anos, e de Glória Menezes, aos 91, a televisão brasileira perde duas de suas testemunhas e protagonistas mais importantes.

O legado, porém, permanece registrado em décadas de trabalho, em personagens que continuam sendo lembrados e em uma influência que alcançou atores, diretores, autores e espectadores.

O Brasil se despede de duas gigantes da dramaturgia. E, ao mesmo tempo, preserva na memória a história de uma geração que ajudou a transformar a televisão em parte essencial da cultura nacional.

 

Morre também Carlos Cesare, o Pablo de "Qual É a Música?"

O dia de luto na televisão brasileira também foi marcado pela morte de Carlos Cesare, aos 60 anos. O ator ficou conhecido nacionalmente por interpretar um dos primeiros Pablos do quadro "Qual É a Música?", exibido no programa de Silvio Santos.

A família confirmou a morte no domingo, 16 de agosto, e informou nesta terça-feira, dia 18, que Cesare sofreu uma congestão e um edema pulmonares, seguidos de falência cardíaca, provavelmente durante o sono. A despedida aconteceu na tarde de segunda-feira, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Carlos Cesare interpretou Pablo na versão original do quadro "Qual É a Música?", na década de 1980, permanecendo na atração por cerca de quatro anos. O personagem se tornou uma das figuras lembradas pelo público que acompanhava o programa de Silvio Santos.

Quando o quadro voltou a ser apresentado no fim dos anos 1990, o personagem passou a ser interpretado por Felipeh Campos, ao lado de Ellen Rocche.

Depois de deixar a televisão, Carlos Cesare continuou ligado à carreira artística e encontrou no circo uma nova forma de expressão. Ele passou a se apresentar como o Palhaço Eugênio Garnizé, personagem que levou para diferentes trabalhos e apresentações.

Foi também no universo circense que Cesare se aproximou do ator Domingos Montagner, com quem construiu uma amizade. Montagner morreu em 2016, aos 54 anos, após desaparecer durante um banho no rio São Francisco, em Sergipe.

A morte de Carlos Cesare se soma às despedidas de Laura Cardoso e Glória Menezes e reforça o sentimento de perda que tomou conta do meio artístico brasileiro nesta semana.

Em poucos dias, o país se despediu de nomes que fizeram parte da memória de diferentes gerações e ajudaram a construir momentos marcantes da televisão, do teatro, do cinema e do circo. De grandes protagonistas a personagens que conquistaram o carinho do público, todos deixam histórias que continuam vivas na memória dos brasileiros.

 

Rádio Caparaó FM 107,5

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