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Mulheres são maioria no eleitorado, mas minoria nas urnas

Mulheres são maioria no eleitorado, mas minoria nas urnas

Elas são 52,8% do eleitorado nacional, mas representam apenas 16,7% das candidaturas aos governos estaduais. Em nove estados, não há nenhuma candidata. Especialista aponta barreiras culturais e partidárias à participação feminina 

 

Maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres ainda encontram pouco espaço quando a disputa é pelo comando dos governos estaduais. Levantamento feito pelo Correio com 150 candidaturas nas 27 unidades da Federação mostra que apenas 25 são mulheres, o equivalente a 16,7% do total. Os homens somam 125 nomes e representam 83,3% dos postulantes analisados.

 

A diferença se torna ainda mais expressiva quando comparada à composição do eleitorado. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 83,8 milhões dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar em outubro são mulheres. Elas representam 52,81% do eleitorado nacional, contra 74,8 milhões de homens.

 

A maioria feminina no eleitorado, no entanto, não se reproduz entre aqueles que pretendem ocupar os palácios estaduais. Em nove estados, nenhuma mulher aparece entre os candidatos reunidos pelo levantamento: Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rondônia e Roraima. Em um terço das unidades da Federação, portanto, a escolha pelo próximo governador ocorrerá exclusivamente entre homens.

 

Para Priscila Lapa, doutora em ciência política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a disparidade é resultado de fatores culturais e estruturais que historicamente afastaram as mulheres dos espaços de liderança e de tomada de decisão. "É indissociável a percepção do papel da mulher na sociedade, historicamente posto como restrito aos cuidados domésticos, e jamais adequado aos espaços públicos e de liderança. Assim, a política reforçou esse papel e essa percepção de que esse não é um espaço adequado à presença das mulheres", afirma.

Segundo Lapa, a desigualdade também passa pela estrutura interna das legendas. "Os espaços de microdecisão, como os partidos políticos, são dominados por homens, que tomam todas as decisões olhando para as suas necessidades e interesses", avalia. Para ela, o resultado é a falta de estímulo à entrada de mulheres nos espaços de poder. "Quem domina não quer deixar de dominar, não quer abrir espaços para a presença de outros grupos sociais", acrescenta.

 

Correio Braziliense

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