Desabamento de prédio em São Paulo, deixa 6 mortos e termina com prisão de sócio de construtora
O desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, Zona Leste de São Paulo, deixou seis mortos. O Corpo de Bombeiros localizou na manhã deste domingo (13/9) o corpo de uma menina de 7 anos, última vítima que ainda era procurada nos escombros. O corpo foi retirado no início da tarde.
Com o fim das buscas, o trabalho emergencial dos bombeiros foi encerrado. A partir de agora, a remoção dos escombros ficará sob responsabilidade da Prefeitura de São Paulo. A operação durou mais de 24 horas e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e do município.
Segundo Robson Mitsu, comandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, oito moradores da casa atingida eram procurados pelas equipes. Havia também a suspeita de que vigilantes da obra pudessem estar no local, mas os proprietários e advogados do empreendimento negaram essa informação.
Entre os seis mortos estão três mulheres e dois homens, além da menina de 7 anos. Uma das mulheres estava grávida. Um homem e outra menina de 7 anos foram resgatados com vida e tiveram ferimentos leves, como contusões e escoriações, segundo o governo de São Paulo.
Sócio da construtora é preso
Também neste domingo, a Polícia Civil prendeu um dos sócios-proprietários da construtora New Home, responsável pelo empreendimento. O nome dele não foi divulgado. Ele foi encaminhado ao 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa.
A polícia também deve cumprir mandados de prisão contra outros dois responsáveis pela obra. Os crimes pelos quais os investigados poderão responder ainda não foram oficialmente informados.
Procurado pela reportagem, o advogado da construtora afirmou que a empresa não deve se pronunciar neste momento. Em manifestação anterior, a New Home disse que "não há elementos que permitam afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora".
Obra tinha histórico de irregularidades
O prédio, de 11 pavimentos, desabou por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici. A estrutura caiu sobre uma residência vizinha, onde moravam nove pessoas. O imóvel também funcionava como oficina de costura.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, a construção começou em 2019 sem alvará e foi alvo de fiscalizações, multas e interdição. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que, diante da continuidade dos trabalhos, a Procuradoria-Geral do Município entrou com uma ação judicial em 2021 para pedir a suspensão da obra.
Em 2022, a construtora apresentou um novo projeto e recebeu um alvará em 2023. A autorização estabelecia, entre outras condições, a demolição de uma estrutura que já existia no terreno.
Uma vistoria realizada em 2024 por uma servidora da Subprefeitura da Penha registrou que a demolição havia sido feita. Depois do desabamento, porém, técnicos da Prefeitura verificaram, com auxílio de imagens de satélite e informações de vizinhos, indícios de que a estrutura antiga não havia sido demolida.
A servidora responsável pelo laudo foi afastada por 30 dias. Segundo Daniel Falcão, controlador-geral do Município, a medida busca evitar interferências na investigação interna.
"Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna. Nós também já estamos junto com a Polícia Civil, junto com a delegada do 24ª Distrito Policial, para haver uma investigação criminal a respeito disso e entendermos o que aconteceu", afirmou Falcão.
O local deverá passar por perícia após a conclusão das buscas. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do desabamento e as possíveis responsabilidades relacionadas à obra.
A Defesa Civil também avalia se as fortes chuvas que atingiram São Paulo nos últimos dias podem ter contribuído para a queda da estrutura. Até o momento, não há conclusão sobre a causa do desabamento. (Com Folhapress)
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