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El Niño deve influenciar preços dos alimentos e inflação em 2027

El Niño deve influenciar preços dos alimentos e inflação em 2027

Efeitos climáticos devem impactar inflação de alimentos no Brasil; Consequências já estão sendo projetadas por economistas

 

De acordo com economistas, o fenômeno meteorológico El Niño deve aumentar a inflação no Brasil em 0,5 ponto percentual no próximo ano. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) na última quarta-feira (23/9).

Os principais efeitos do El Niño devem chegar ao país nesta segunda metade de 2026, ou seja, os efeitos serão sentidos, principalmente, nas safras colhidas em 2027, mas impactos já podem começar a ser sentidos este ano. 


Segundo o Relatório de Política Monetária, divulgado pelo BC na última quinta-feira (24/9), a expectativa de inflação para 2027 passou de 4,10% para 4,30%, acima da meta de inflação.

Uma das explicações é a incorporação gradual dos efeitos do El Niño nos preços dos alimentos e na alimentação no domicílio, medidos pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).

O BC alerta para os efeitos do fenômeno na soja, milho, arroz, algodão, café e cana-de-açúcar. “Os episódios de La Niña apresentam efeitos mais heterogêneos entre as culturas de grãos, com impactos positivos na soja, negativos no milho, sobretudo na segunda safra”, afirmou.

Para a autoridade monetária, elaborar estimativas dos efeitos de El Niño e La Niña sobre a produtividade agrícola é desafiadora e os dados devem ser analisados com cautela.

 

“As projeções para 2027 devem ser interpretadas como indicação de risco para a produtividade agrícola, e não como previsão de desempenho da safra. Embora os eventos climáticos possam contribuir de forma relevante para determinadas oscilações da produtividade, outros fatores respondem pela maior parte da variabilidade observada”, diz o texto.

O Ministério da Fazenda também tem olhado para os possíveis efeitos do El Niño. No Boletim Macrofiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), a pasta afirma que o fenômeno pode pressionar os preços dos alimentos in natura ainda em 2026, embora seus efeitos mais significativos devam se concentrar na safra de 2027.

 

“Para 2027, a previsão de inflação foi revisada de 3,6% para 3,8%, refletindo os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano”, afirmou o texto.

A Fazenda explicou que a projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes.

Entenda o que é o El Niño

  • É um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, especialmente na faixa próxima à América do Sul;
  • Altera os ventos e a circulação atmosférica, mudando o padrão normal de chuvas e temperaturas em várias partes do mundo;
  • No Brasil, costuma provocar mais chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste, além de temperaturas mais altas em várias regiões;
  • Ocorre de forma periódica, geralmente a cada 2 a 7 anos, com duração de vários meses;
  • Impacta economia, afetando agricultura, geração de energia, abastecimento de água e aumentando o risco de eventos extremos.

O que isso significa para economia e inflação

Além do impacto direto nos preços dos alimentos, o que rapidamente é sentido pela população, a pressão inflacionária também dificulta o ciclo de afrouxamento monetário, podendo fazer com que a taxa de juros fique em patamar restritivo por mais tempo.

Alimentação é um item sensível e de peso elevado no cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), oscilações de preço contribuem para um avanço mais rápido da inflação, já precificado pelo mercado financeiro para o próximo ano.

Isso dificulta a tarefa do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC de cortar os juros, atualmente em 13,75% ao ano.

Quando a inflação está em patamares elevados, o Copom precisa manter o aperto monetário por mais tempo, com o objetivo de desaquecer a economia, o que pode levar a crédito mais restritivo por um período mais prolongado.

Metropoles

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