Debate 2026 em Minas: Cleitinho sai da defensiva, Patrus se atrapalha e Simões abandona Zema
O primeiro e segundo colocado nas pesquisas de intenções de voto, respectivamente, estiveram na mira dos adversários nas mais de três horas de programa
O debate da TV Globo, realizado na noite desta terça-feira (29/9), confirmou a tendência de Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Patrus Ananias (PT) tornarem-se alvos prioritários para a artilharia dos adversários na disputa ao governo de Minas Gerais. O primeiro e segundo colocado nas pesquisas de intenções de voto, respectivamente, estiveram na mira dos principais ataques durante as quase três horas de programa.
O debate foi o último antes do primeiro turno e o único, desde o início da campanha, a contar com todos os candidatos ao Palácio Tiradentes mais bem colocados nas pesquisas. Participaram do debate, além de Cleitinho e Patrus, Alexandre Kalil (PDT), Mateus Simões (PSD), Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL). Simões, inclusive, foi o principal crítico de Cleitinho em uma espécie de tudo ou nada para subir nas pesquisas a menos de uma semana da eleição. A ‘bala de prata’ do candidato do PSD ainda teve o abandono da candidatura presidencial Romeu Zema (Novo), de quem herdou o estado, para apoiar Flávio Bolsonaro (PL).
Contra-ataque
Durante o programa, Cleitinho, alvo prioritário principalmente do governador, partiu para o contra-ataque e se defendeu de críticas direcionadas à candidatura dele e a integrantes do grupo político que o circundam. O primeiro sinal de que o senador sairia da defensiva apresentada durante toda a campanha se deu já no primeiro bloco. Quando questionado por Simões sobre a falta do envio de emendas à segurança pública do estado no mandato de senador, Cleitinho disparou contra o pessedista.
“Mateus, falar sobre segurança pública, eu acho que você não tem moral nenhuma para falar. Vamos fazer uma pesquisa com a segurança pública, com a Polícia Penal, com o socioeducativo: ninguém vai votar em você”, disparou o senador, que ainda aconselhou Simões: “perder faz parte” e “aceita que dói menos”, ironizou em referência à posição de Simões nas pesquisas.
O senador ainda recomentou ao governador que "acalmasse o coração" e afirmou que a "arrogância e prepotência" de Simões eram responsáveis pela postura agressiva. Cleitinho voltou a ser alvo de Mateus Simões nos demais blocos, com críticas diretas do pessedista especialmente ao deputado federal e presidente do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen, e ao suplente de Cleitinho no Senado, o empresário Alex Diniz.
Em todas as investidas, Cleitinho repetiu o discurso de que não respondia por atos de seus aliados. O líder de pesquisas também foi criticado pela proposta de reduzir a cobrança do IPVA no estado. A medida foi classificada por Flávio Roscoe como um “show midiático”. “Não adianta eu promover uma redução sem dizer de onde vai sair o recurso, porque tem uma Lei de Responsabilidade Fiscal. Para reduzir um tributo, você tem que apontar a origem do recurso. E você não fez até agora”, disse a Cleitinho.
O candidato do Republicanos defendeu a proposta, voltou a afirmar que recursos de isenções fiscais seriam utilizados para compensar a perda de arrecadação gerada pela redução do IPVA e pediu um sacrifício aos prefeitos, citando que muitos gestores municipais gastam cifras altas com shows de grandes artistas.
Voto útil
A busca por um voto útil também entrou no radar de Cleitinho e dos demais adversários. O candidato do Republicanos afirmou que deseja encerrar a eleição no primeiro turno e fez um apelo aos eleitores. “Não espere o 2º turno”, disse. Por outro lado, Mateus Simões se colocou como a melhor alternativa para disputar o 2º turno contra Cleitinho e evitar uma “volta do PT” ao poder, mesma tática utilizada por Roscoe. Gabriel, em discurso mais ao centro, também mirou uma presença no 2º turno. Apenas Kalil não apelou à estratégia.
Patrus atrapalhado
Alvo dos adversários, Patrus Ananias teve dificuldades em se defender das críticas dos adversários. As principais ponderações negativas ao petista se deram em lembrança à gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT). Patrus, inclusive, se esquivou. "Eu não estou aqui como advogado do Pimentel", respondeu a Cleitinho Azevedo (Republicanos) no terceiro bloco e a Gabriel Azevedo (MDB) no último bloco.
Ainda ao emedebista, que questionou os erros e acertos de Pimentel, Patrus novamente minimizou. “Eu não estou aqui como analista do governo de Fernando Pimentel”. Além de se afastar do correligionário, Patrus se atrapalhou ao fazer perguntas e não conseguiu aproveitar o tempo destinado à formulação das questões e para as respostas. Logo no primeiro questionamento, feito a Mateus Simões, Patrus gastou quase todo o tempo apresentando propostas sobre cultura e turismo e não conseguiu apresentar uma pergunta ao adversário, que debochou da falta de habilidade do petista.
Zema de lado
Simões, por sua vez, abandonou de vez o ex-governador Romeu Zema. Durante o debate, o candidato do PSD foi questionado por Gabriel Azevedo sobre quem indicou Rossieli Soares, investigado por fraudes acima de R$ 340 milhões enquanto esteve à frente da Secretaria de Estado de Educação, Simões atribuiu a culpa ao ex-governador e hoje candidato ao Palácio do Planalto.
“Quem indicou o secretário na época de Zema foi Zema”, esquivou-se. No último bloco, ao tentar se distanciar de Cleitinho Azevedo que disse não importar quem seria o próximo presidente, Simões cravou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. “Eu espero que seja Flávio Bolsonaro, porque não é possível a gente continuar convivendo com o Lula no poder", afirmou,
Kalil oscila temperatura
Durante o debate, o ex-prefeito de BH Alexandre Kalil oscilou a temperatura das respostas aos adversários. Após iniciar o programa em temperatura morna, o pedetista partiu para o ataque no segundo e terceiro bloco, com críticas ao governador Mateus Simões, a quem acusou de ter governado Minas “com dinheiro da Vale” e de não ter “colocado um tostão” no estado.
O pedetista também criticou a medida de Mateus Simões de direcionar recursos de empresas estatais para Cruzeiro, Atlético e América para compensar as perdas geradas pela anulação dos sites de apostas esportivas no país em dobradinha rara com Gabriel Azevedo. Outro que entrou na mira foi Flávio Roscoe. O presidente licenciado da Fiemg foi acusado por Kalil de ter se vacinado, contra a Covid-19, “escondido em Miami”.
Kalil ainda criticou Cleitinho ao afirmar que a “casa de um senador” não poderia ser Divinópolis, mas sim Minas Gerais.
Roscoe defende candidatura
Se posicionando como o candidato de Flávio Bolsonaro em Minas e contrário ao PT durante o debate, Flávio Roscoe aproveitou o programa para reafirmar que manteria a candidatura ao governo até o fim. Ele vinha sendo alvo de pressões internas no Partido Liberal, para uma possível desistência de disputar o governo para apoiar Cleitinho.
Roscoe disse que foi vítima do sistema, ao comentar a situação. “Não vou ceder a esses ataques. O sistema está tentando reagir porque nós estamos incomodando”, frisou. “Nossa candidatura está firme e segue com o apoio do Flávio Bolsonaro”, acrescentou o candidato do PL.
Gabriel mira Patrus
Gabriel teve, ao longo do debate, embates com Patrus Ananias e buscou associar o petista à gestão do ex-governador Fernando Pimentel em diversas oportunidades. O primeiro embate foi sobre a escola plural, proposta que, segundo Azevedo, Patrus pretende implementar em Minas.
"Eu quero que o senhor explique, porque o senhor gosta de falar dos seus feitos do passado e parece que o senhor sente uma dificuldade. Como era essa escola que passava as crianças sem que elas soubessem ler e escrever direito? Simplesmente constando a presença”, disse Gabriel, que acusou Ananias de fugir do debate.
Posteriormente, Gabriel buscou de Ananias retornos sobre quais políticas foram implementadas por Pimentel que poderiam ser replicadas em uma eventual nova gestão do PT em Minas Gerais.
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