Pesquisa mostra que custo de alimentos frescos dificulta dieta saudável
Preço alto de produtos in natura surge como entrave para o consumo de itens essenciais na prevenção de doenças como o câncer
O alto preço dos alimentos frescos é apontado por 29% dos brasileiros como o principal obstáculo para a manutenção de uma alimentação saudável no cotidiano. O dado, revelado por uma pesquisa conduzida pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com o Instituto Nexus com mais de 2 mil participantes em todas as regiões do país, expõe como os custos econômicos da feira impactam diretamente as escolhas nutricionais e a prevenção de doenças crônicas no Brasil.
Embora 66% dos entrevistados relatem consumir produtos in natura seis ou mais dias por semana, a barreira financeira impulsiona a inclusão de opções menos nutritivas na rotina. De acordo com o levantamento, 33% dos brasileiros ingerem bebidas açucaradas e 31% consomem alimentos processados ao menos três vezes por semana.
Além disso, a pesquisa identificou que 63% dos entrevistados apresentam excesso de peso: 37% estão na faixa de sobrepeso e 26% têm obesidade, enquanto 42% não praticam atividades físicas regularmente.
A relação entre o custo dos alimentos e o perfil de consumo reflete dinâmicas econômicas estruturais da cadeia produtiva.
“Os alimentos ultraprocessados tornam-se mais baratos ou acessíveis do que os produtos frescos porque, muitas vezes, são fabricados com subprodutos ou pedaços menos nobres de alimentos”, explica o professor de Economia Denis Medina, da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.
O economista explica que, frequentemente, são utilizados complementos como soja, milho e outros ingredientes de baixo custo para compor a proteína, cujo valor nutricional é menor e não possui o mesmo potencial de alimentação dos produtos in natura.
A discrepância orçamentária afeta desproporcionalmente as famílias de menor renda, que comprometem maior parcela dos recursos financeiros com a alimentação diária.
Fatores como variações climáticas, custos de frete e uma tributação cumulativa sobre insumos agrícolas encarecem a distribuição de hortaliças e frutas antes de chegarem às prateleiras do varejo, gerando perdas sucessivas de poder de compra alimentar.
Alimentação e a saúde
Do ponto de vista médico, o consumo contínuo de itens ultraprocessados em substituição aos alimentos frescos eleva a exposição a fatores de risco associados ao surgimento de diversos tipos de neoplasias e complicações metabólicas. Isso significa dizer que o consumo excessivo de ultraprocessados pode causar crescimento anormal e descontrolado de células no corpo, podendo formar tumores.
“Com essa pesquisa, realizada para entender melhor os hábitos de vida da população e a relação desses hábitos com a prevenção de câncer, o que a gente encontrou foi um cenário com alguns pontos positivos, mas com questões que merecem atenção”, reforça o oncologista clínico Tiago Cordeiro, do A.C.Camargo Cancer Center.
A literatura científica comprova que dietas ricas em ultraprocessados estão associadas ao aumento da incidência de obesidade, hipertensão e distúrbios cardiovasculares. Para amenizar o impacto no orçamento sem comprometer a qualidade nutricional, especialistas recomendam o planejamento das compras com listas objetivas para evitar desperdícios e a escolha de produtos da estação, que costumam apresentar preços mais baixos nas feiras livres e mercados.




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