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Calçados vendidos na Shein e na Temu apresentam falhas de segurança

Calçados vendidos na Shein e na Temu apresentam falhas de segurança

 

Investigação identificou irregularidades químicas em 36% dos pares analisados e problemas técnicos em 80% dos calçados de segurança testados

 

Uma investigação da Confederação Europeia da Indústria do Calçado (CEC) identificou irregularidades químicas e falhas de segurança em produtos vendidos pela Shein, pela Temu e pelo AliExpress, especialmente na categoria de calçados de segurança. Nesse segmento, 80% dos produtos analisados não atenderam à norma europeia ISO. Os números surgem em um momento de endurecimento das regras do bloco para encomendas vindas de fora da União Europeia, e a entidade usa os dados para defender que as plataformas e os importadores sejam responsabilizados pelos produtos que comercializam.

 

Como foi o teste

Entre fevereiro e maio de 2026, a CEC realizou uma operação de “compras misteriosas” em sete países europeus, entre eles França, Alemanha e Espanha. Os produtos foram analisados por laboratórios credenciados, que constataram que, dos 76 pares testados, 36% violavam as regras do REACH, regulamento europeu que restringe o uso de substâncias químicas perigosas.

 

Os ftalatos, substâncias usadas para conferir flexibilidade aos plásticos, foram a principal causa de irregularidades, seguidos por compostos como formaldeído, metais pesados, níquel e cromo VI.

 

Especialistas alertam para a necessidade de reduzir o uso de plástico, investir em reciclagem e ampliar os estudos de longo prazo, especialmente em ecossistemas de água doce

 

Falhas em calçados de segurança

Os resultados foram ainda mais preocupantes entre os calçados de segurança, que existem justamente para proteger quem os usa. Oito dos dez modelos testados apresentaram falhas técnicas, incluindo resistência inadequada ao escorregamento, proteção insuficiente contra perfurações e problemas nas biqueiras.

 

A CEC também apontou ausência da marcação CE obrigatória — que indica que o produto atende aos requisitos de segurança, saúde e proteção ambiental exigidos pela União Europeia — e de documentos que comprovem a conformidade dos produtos.

 

Um problema que já vinha chamando atenção

O estudo da CEC não é um caso isolado. Em 2024, autoridades de Seul, na Coreia do Sul, inspecionaram 144 produtos vendidos pela Shein, pelo AliExpress e pela Temu e identificaram irregularidades nas três plataformas. Um sapato da Shein apresentava níveis de ftalatos 229 vezes acima do limite legal, enquanto palmilhas de sandálias da Temu continham chumbo em concentração 11 vezes superior ao permitido.

 

Na França, uma inspeção alfandegária de mais de 320 mil pacotes concluiu que cerca de 25% dos itens não têxteis da Shein apresentavam falhas de segurança e rotulagem. Já a organização belga de defesa do consumidor Testachats analisou 162 produtos da Shein e da Temu, entre brinquedos, carregadores USB e colares, e constatou que cerca de 70% violavam normas europeias.

Já em novembro de 2025, uma investigação da Greenpeace Alemanha identificou substâncias químicas acima dos limites europeus em 18 das 56 peças de roupa analisadas da Shein.

 

Em março deste ano, uma nova análise encontrou irregularidades em 25 das 31 peças reavaliadas. Entre as substâncias identificadas estavam ftalatos e PFAS, conhecidos como “químicos eternos” devido à sua persistência no meio ambiente.

 

 União Europeia endurece as regras

O crescimento do comércio eletrônico internacional dificulta o controle das mercadorias que chegam ao mercado europeu. Segundo a Comissão Europeia, o bloco recebeu 5,9 bilhões de pequenas encomendas em 2025, ante 4,6 bilhões no ano anterior. Nesse cenário, a União Europeia tem adotado medidas para ampliar a fiscalização e responsabilizar as plataformas.

 

Em maio de 2026, a Temu recebeu uma multa de 200 milhões de euros por violações do Regulamento dos Serviços Digitais, relacionadas à avaliação inadequada dos riscos de circulação de produtos ilegais.

 

Pressão por maior responsabilização

Diante dos resultados, a CEC defende regras mais claras sobre a responsabilidade das plataformas e dos demais agentes da cadeia de abastecimento, além de propor uma revisão dos mecanismos europeus de fiscalização do mercado.

As investigações reforçam que os desafios da moda ultrarrápida vão além dos impactos ambientais e do volume de produção, envolvendo também a segurança dos produtos e a capacidade de controlar mercadorias comercializadas internacionalmente.

 

Metropoles

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