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Padre Fábio de Melo faz relato impactante sobre depressão: “Não acordo feliz”

Padre Fábio de Melo faz relato impactante sobre depressão: “Não acordo feliz”

Padre Fábio de Melo, de 55 anos, abriu o coração sobre sua luta contra a depressão crônica. Durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta quinta-feira (15), o religioso contou como a doença afeta sua rotina e revelou que as manhãs costumam ser os momentos mais difíceis do dia.

 

"Desde que eu me entendo por gente, eu nunca acordei feliz. Eu posso estar no melhor lugar do mundo, eu não acordo feliz. É meu, é uma sombra que eu levo, e eu acredito que a sombra seja o lado positivo da minha criatividade", afirmou.

 

O padre explicou que a tristeza ao acordar faz parte de sua rotina e acredita que essa característica também tem relação com sua sensibilidade. "É isso que me faz ter a sensibilidade que eu tenho. Eu não sou uma pessoa eufórica. Eu acordo triste, eu acordo desanimado. Tudo aquilo que eu decidi à noite, que eu estava superfeliz, no outro dia eu amanheço arrependido", relatou.

 

Fábio também falou sobre o tratamento com medicamentos. Segundo ele, doses mais altas chegaram a melhorar seu humor, mas afetaram a forma como lidava com as próprias emoções. "Eu levo um tempo para metabolizar isso, passar e falar: 'Agora vamos para o eixo'. Quando eu tomava muitos remédios, eu ficava ótimo para os outros. Claro. Eu era a melhor pessoa do mundo. Já acordava felizinho, não tinha conflitos, mas também não tinha nenhum processo humano em ebulição que me ajudasse a ser quem eu sou. Eu era uma pessoa que correspondia aos comandos, e eu não quero isso", declarou.

 

O religioso afirmou que conseguiu encontrar um tratamento mais adequado à sua condição. "Então, quando encontrei a medicação e a dosagem certas para lidar com uma depressão crônica, comecei a ter isso. Eu sei que, de manhã, sou assim", explicou.

 

Essa não é a primeira vez que Fábio fala publicamente sobre sua saúde mental. Em julho de 2018, ele revelou que havia enfrentado uma crise de pânico e um quadro depressivo no ano anterior. "Há um ano eu enfrentei crise do pânico e um quadro depressivo. Foi o pior momento da minha vida. Aprendi muito com tudo o que vivi", escreveu na época.

 

Na ocasião, o padre também criticou o preconceito contra pessoas com depressão. "Há muita ignorância no trato com pessoas depressivas. É comum escutar que é frescura, exagero, falta do que fazer. Quando de fato se trata de um quadro depressivo, não, não é. Só quem sofre sabe", desabafou.

 

 

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