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Listas de boicote a comércios circulam em redes sociais após eleição presidencial; entidades repudiam

Listas de boicote a comércios circulam em redes sociais após eleição presidencial; entidades repudiam

Uma das listas divulga boicote a empresas e profissionais de quatro cidades

MANHUAÇU (MG) – A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do último domingo (25/10), contra Flávio Bolsonaro (PL), continua repercutindo no debate nacional, tanto entre eleitores quanto entre pequenos negócios. Nos últimos dois dias, internautas declarados como apoiadores do candidato derrotado têm disseminado nas redes sociais e em grupos de WhatsApp listas com o nome de empresas que supostamente teriam apoiado o petista, com o objetivo de promover um boicote.

A situação tem acontecido em diversas cidades brasileiras. Na região, uma das listas coloca empresas e profissionais liberais de Manhuaçu, Manhumirim, Alto Jequitibá e Alto Caparaó.

As listas compartilhadas de forma viral discriminam dezenas de empreendimentos e trabalhadores autônomos. Entre os ramos destacados estão consultórios odontológicos e escritórios de advocacia, bares, restaurantes, dentistas, médicos, psicólogos, autoescola, loja de móveis, oficinas e boutiques.

Duas associações comerciais divulgaram notas semana sobre o tema. A ACIAM, de Manhuaçu, publicou uma “Nota de Posicionamento” contra boicotes a estabelecimentos motivados pelas preferências políticas de seus donos. Em Manhumirim, a ACIAMA CDL emitiu uma “Nota de Repúdio”, no dia 27, para negar qualquer ligação com listas ou manifestações de caráter político-partidário.

Na nota, a ACIAM declara que não compactua com ações que incentivem a hostilidade ou prejudiquem empresas por essa razão. Segundo o texto, os efeitos desse tipo de iniciativa vão além do empresário e atingem trabalhadores, famílias, fornecedores e toda a cadeia econômica regional.

A entidade também lembra que o comércio físico já enfrenta a forte concorrência do comércio digital. Por isso, defende que divergências políticas não criem obstáculos à sustentabilidade dos negócios e à manutenção dos empregos.

Implicações jurídicas

Especialistas em Direito esclarecem que defender um boicote comercial por divergências políticas não constitui crime por si só. Entretanto, ameaças, perseguições, difamação e uso indevido de dados pessoais podem gerar consequências judiciais, dependendo das circunstâncias.

A orientação às pessoas atingidas é guardar mensagens, capturas de tela e outros registros que possam servir como provas.


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