Leo Dias recebeu quase R$ 10 milhões do Master e R$ 2 milhões de empresa ligada ao banco de Vorcaro
Famoso pelas fofocas de celebridades, jornalista disse que pagamentos são de contrato de publicidade com o Will Bank, que fazia parte do conglomerado do Master
Uma empresa do jornalista Leo Dias recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master e outros R$ 2 milhões de uma empresa que teve aportes da instituição de Daniel Vorcaro, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Os valores foram revelados nesta quinta-feira (9/4) pelo “Estadão”. Leo Dias é famoso por fofocas sobre celebridades, que publica em seu site e comenta em programas de TV.
O Master fez seis pagamentos para a Leo Dias Comunicação e Jornalismo entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, segundo o Coaf.
O jornalista recebeu outros R$ 2 milhões de uma firma que teve aportes do Master como principal fonte de receita, de acordo com outro informe do Coaf.
No relatório do Coaf mostra que R$ 34,9 milhões entraram nas contas da empresa de Leo Dias nos 15 meses analisados pelo órgão. Dessa forma, os valores depositados pelo Master correspondem a 28% do faturamento da Leo Dias Comunicação no período.
O Coaf aponta ainda que as saídas da empresa no período somaram R$ 35,7 milhões e que houve pagamento de boletos em nome de terceiros.
“Diante do exposto, identificamos que: indícios de movimentações em benefício de terceiros, (boletos), sem causa aparente, a movimentação em conta é superior a capacidade financeira declarada pela empresa, e recebimento de créditos com o imediato débito dos valores, sem aparente justificativa”, conclui o órgão de monitoramento financeiro.
Leo Dias afirmou, por meio de nota, que os pagamentos referem-se a um contrato de publicidade com Will Bank, que fazia parte do conglomerado do Master e foi liquidado pelo Banco Central (BC). Vorcaro está preso. Seus advogados não se manifestaram.
O Estadão também teve acesso a um segundo registro do Coaf, que aponta que a Leo Dias Comunicação recebeu R$ 2 milhões da empresa LD Produções, em dois pagamentos feitos entre novembro de 2024 e outubro de 2025.
O dono da LD é Flávio Carneiro, empresário mineiro próximo de Vorcaro e parceiro de negócios de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro.
Carneiro e Zettel foram sócios na Foone, empresa que oferecia serviços de tecnologia para sites. Dos R$ 3,7 milhões recebidos pela LD entre novembro de 2024 e outubro de 2025, 90% (R$ 3,3 milhões) saíram do Master.
Carneiro foi procurado pelo Estadão para esclarecer as movimentações, mas respondeu que estava em um voo e que a equipe de Leo Dias responderia a reportagem. Na nota enviada pela assessoria do jornalista não há menção sobre a transação de R$ 2 milhões.
Casado desde 2018 com Natália Vorcaro, irmã do dono do Master, Zettel fundou a Moriah Asset, um fundo de investimentos sócio de empresas de wellness, que pregam um estilo de vida saudável, como a rede de açaí Oakberry e a academia Les Cinq.
Zettel foi o maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) em 2022. O cunhado de Vorcaro doou R$ 3 milhões para a campanha do ex-presidente e R$ 2 milhões para a do governador de São Paulo.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou um avião de Vorcaro durante a campanha de 2022, em uma série de eventos pelo Nordeste e para se encontrar com Bolsonaro em Brasília para tratar do pleito eleitoral, vencido por Lula.
Pastores da Igreja da Lagoinha, onde Zettel e Natália Vorcaro também eram pastores, voaram no avião do banqueiro com Nikolas durante a campanha eleitoral. A Igreja da Lagoinha tem como principal líder o pastor André Valadão, aliado de Bolsonaro.
O pai de Daniel e Natália Vorcaro, Henrique Vorcaro, tem forte vínculo com a Igreja da Lagoinha, sediada em Belo Horizonte. Ele ajudou a igreja a comprar a Rede Super para a igreja. Entre 2008 e 2009, Daniel Vorcaro apresentou um programa musical na companhia de André Valadão.
Zettel e a esposa Natália foram responsáveis pela construção de um templo de 16 mil metros quadrados da Lagoinha no bairro Belvedere, em BH. A obra foi concluída no ano passado, meses antes de Zettel e Vorcaro serem alvo de operação da PF por supostas fraudes envolvendo o Master.
Empresas de Ratinho receberam R$ 24 milhões do Master
Também nesta quinta-feira foi divulgado que duas empresas do Grupo Massa, que pertence ao apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho e pai do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), receberam R$ 24 milhões do Master. A informação é do jornal “Folha de S. Paulo”.
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A Massa Intermediação recebeu R$ 21 milhões de 2022 até 2025, período em que o apresentador era um dos garotos-propaganda do cartão de consignado do banco, o CredCesta. Também em 2022, a Gralha Azul Empreendimentos e Participações, pertencente ao mesmo grupo, foi contemplada com R$ 3 milhões.
Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo Massa afirma que “construiu uma trajetória pautada por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas marcas e empresas”.
A empresa também destaca que Ratinho Júnior não faz parte do quadro de sócios do grupo, enquanto o governador não se manifestou a respeito do fato.
Ratinho Júnior era pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, mas optou por desistir da empreitada para concluir seu mandato no Paraná e se dedicar à sua sucessão. Ele declarou apoio ao pré-candidato de seu partido, Ronaldo Caiado, que deixou o governo de Goiás para concorrer ao Palácio do Planalto.
Cruzeiro recebeu R$ 578 mil em rendimentos do Master, banco de Vorcaro, sócio da SAF do Atlético
Cruzeiro diz que não recebeu investimento do banco Master, mas rendimentos de aplicações, diferentemente do seu grande rival, que tem Vorcaro como um dos donos
BRASÍLIA – Os dois grandes times de Minas Gerais receberam, de formas diferentes, dinheiro provenientes do do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ele é um dos sócios da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético desde 2023. Agora, por meio de documentos vazados da CPI do Crime Organizado, sabe-se que a instituição bancária do protagonista do maior escândalo financeiro do país repassou R$ 587 mil à SAF do Cruzeiro.
A informação foi revelada nesta quinta-feira (9/4) pelo portal “Metrópoles”. O envio aparece entre as mais de 2,8 mil pessoas físicas e jurídicas que tiveram transações com o Master em 2025. Os dados foram enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado no Senado e obtidos pelo site.
O documento não traz detalhes sobre a motivação do pagamento ao Cruzeiro. Em nota, o clube mineiro disse que “não houve nenhum investimento do Banco Master no Cruzeiro SAF”, diferentemente do que ocorreu com o seu grande rival, o Atlético.
“O pagamento decorre de rendimentos financeiros (R$ 587.782,32) líquidos de IOF (R$ 2.652,72) em razão da ‘fixação de domicílio bancário’, prevista em contrato de cessão fiduciária de recebíveis firmado entre Cruzeiro SAF e um fundo multimercado de crédito privado, o qual indicava o Banco Master como banco administrador do recurso”, diz o comunicado.
“O referido contrato de cessão fiduciária teve como objeto a garantia de liquidação de Notas Comerciais emitidas pelo Cruzeiro SAF, liquidadas na data de seu vencimento, em 08/04/2025”, completa.
Até 2023, Vorcaro detinha 8,2% da composição da Galo Holding devido ao investimento de R$ 100 milhões no fundo FIP Galo Forte. Em fevereiro de 2024, ele aportou mais R$ 200 milhões no fundo e passou a ter 20,2% na constituição da Galo Holding, controladora majoritária da SAF do Atlético.
Então com 40 anos, em 30 de abril de 2024, Vorcaro teve o nome aprovado pelo Conselho Deliberativo do Atlético como novo conselheiro grande-benemérito da instituição. Foi afastado em novembro de 2025, após ser preso, pela primeira vez, no âmbito da Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
Vorcaro foi do auge à derrocada com fraudes do seu banco
Nascido em Belo Horizonte em 6 de outubro de 1983, Vorcaro se apresentava como um empresário ousado. Adorava ostentar sua fortuna. Manteve a postura até novembro de 2025, quando foi preso pela PF. Era o início da Operação Compliance Zero.
No dia seguinte, agentes cumpriram outros mandados judiciais. Prenderam sócios de Vorcaro. A operação expôs uma série de fraudes bilionárias envolvendo os negócios do banqueiro mineiro. Mostrou que eram feitos de papéis sem valor. Muitos deles falsificados.
Vorcaro era dono de um conglomerado que tinha o Banco Master como principal empresa. O Banco Central (BC) liquidou o Master paralelamente à deflagração da Compliance Zero. O banco de Vorcaro já não possuía garantias suficientes para honrar o que prometia.
O Master oferecia rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI) a quem comprava papéis da instituição financeira. Promessa de ganhos superiores às taxas médias para bancos pequenos – em torno de 110% a 120% do CDI.
Entre os clientes seduzidos pelas promessas de super rendimentos estavam fundos de previdência de servidores públicos estaduais e municipais. Só o Rioprevidência, dos aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro, aplicou R$ 2,6 bilhões no banco de Vorcaro.
Caso estourou com tentativa de compra do Master pelo BRB
Mas o que levou ao estouro do caso Master foi a tentativa de Vorcaro vender parte do Master ao Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. O BC vetou, por causa dos riscos ao BRB, que ficou no prejuízo por negócios já firmados com o Master.
Apurações do Ministério Público Federal (MPF) indicaram que o banco público injetou R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, dos quais R$ 12,2 bilhões estariam associados a operações fraudulentas. O BRB teria sido usado para socorrer o Master, já em grave crise.
O BRB patrocina vários eventos e instituições. Entre eles, o Flamengo. Assim como o Atlético, o time carioca ainda não sabe o impacto da investigação da PF. Ela mostrou que o fundo usado por Vorcaro na SAF do Galo lavou dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
