Mais uma gigante: Habib’s entra em recuperação judicial com dívida superior a R$ 300 milhões
Rede de fast food, que também é dona das marcas Ragazzo e Tendall Grill, informou que a medida visa a reestruturação financeira para preservar a sustentabilidade do negócio
A trajetória da rede começou com uma proposta simples: oferecer comida árabe a preços baixos. A estratégia ajudou a transformar as esfihas em um dos principais símbolos da marca e fez o Habib’s crescer rapidamente pelo país. Ao longo dos anos, o grupo também incorporou outras operações, como o Ragazzo e o Tendall Grill.
A crise atual, porém, colocou em xeque um modelo de negócios que durante décadas teve como principal diferencial os preços acessíveis. Uma esfiha que custava R$ 0,99 há cerca de dez anos hoje é vendida por aproximadamente R$ 4,99, segundo levantamento citado pela Gazeta do Povo.
Dívida supera R$ 300 milhões
O Grupo Gennius Brasil, controlador do Habib’s, acumula uma dívida de aproximadamente R$ 312,4 milhões. A maior parte do passivo está concentrada em instituições financeiras, mas a lista de credores também inclui fornecedores de alimentos, empresas de tecnologia e prestadores de serviços.
Em julho, a Justiça concedeu uma proteção de 60 dias contra ações de cobrança e execuções. O objetivo é permitir que a empresa negocie com os credores e mantenha as operações enquanto busca uma solução para o endividamento.
A decisão também determinou que fornecedores de produtos e serviços essenciais não interrompam os contratos, desde que os novos fornecimentos sejam pagos à vista. Por outro lado, a Justiça negou o pedido para liberar recebíveis oferecidos como garantia aos bancos.
Pandemia e mudança nos hábitos de consumo
Na ação apresentada à Justiça, o grupo atribuiu parte das dificuldades aos efeitos da pandemia de Covid-19, que prejudicou o movimento dos restaurantes entre 2020 e 2022.
A empresa também apontou a mudança nos hábitos de consumo, com o crescimento dos aplicativos de delivery e a redução da frequência de clientes nas lojas físicas. Outro fator citado foi o aumento do custo de capital em razão dos juros elevados.
Especialistas do setor, porém, avaliam que a crise também está relacionada à dificuldade da rede em acompanhar as transformações do mercado. Concorrentes teriam avançado em inovação, experiência do consumidor e adaptação aos novos hábitos de consumo, enquanto o Habib’s teria mantido um modelo semelhante ao adotado desde os primeiros anos da marca.
De símbolo do preço baixo à crise
O Habib’s construiu sua identidade justamente em torno dos preços acessíveis. A estratégia ajudou a rede a conquistar gerações de consumidores, especialmente estudantes e famílias.
Com o aumento dos custos de operação e a inflação, entretanto, manter preços baixos se tornou mais difícil. A empresa passou a enfrentar também uma concorrência maior no setor de alimentação e delivery.
Nos últimos meses, unidades do grupo foram fechadas em cidades como São Paulo, São José do Rio Preto, Limeira e Passos, em Minas Gerais. Atualmente, o conglomerado reúne cerca de 300 restaurantes Habib’s e 200 unidades do Ragazzo, além de outras operações.
Apesar da crise, o grupo afirma que as lojas continuam funcionando normalmente e que a proteção judicial tem como objetivo justamente preservar as atividades enquanto as dívidas são negociadas.
Itatiaia




Comentários