Anvisa investiga 13 notificações de perda de visão associadas a canetas emagrecedoras, diz site
Tema ganhou repercussão internacional após um grupo de pacientes nos EUA processar a fabricante da Ozempic alegando risco de perda de visão
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA) em pacientes que usaram medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, da classe dos agonistas de GLP-1. A informação foi publicada inicialmente pelo site "G1", citando que as notificações envolvem cinco casos com Ozempic, três com Wegovy, dois com Wegovy FlexTouch, dois com Rybelsus e um com Mounjaro.
A Anvisa esclareceu à imprensa que, no sistema de farmacovigilância, as notificações são agrupadas por princípio ativo: 12 casos estão ligados à semaglutida, presente em Ozempic, Wegovy e Rybelsus, e um caso está ligado à tirzepatida, do Mounjaro. A agência ressalta que um mesmo caso pode aparecer associado a mais de um produto e que o fato de um paciente ter usado o medicamento e desenvolvido a doença não é, por si só, prova de relação de causa e efeito. Até o momento, não há comunicado oficial específico da Anvisa dedicado exclusivamente a essas 13 notificações; as informações foram obtidas pela imprensa a partir de apuração e de esclarecimentos prestados pela agência.
A NOIA é uma lesão rara no nervo óptico que age como um infarto nessa região. Quando os pequenos vasos que irrigam o nervo entopem, parte das células nervosas morre, provocando piora súbita e muitas vezes indolor da visão em um dos olhos, podendo deixar sequelas permanentes. De acordo com o painel de farmacovigilância da Anvisa, desde 2018 foram registradas 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica, termo que agrupa esses casos. Além das 13 notificações ligadas aos agonistas de GLP-1, o painel reúne 74 registros de outras complicações visuais em usuários dessas canetas, sendo as queixas mais frequentes visão turva, com 37 registros, e comprometimento visual, com 29. Como uma notificação pode descrever mais de um sintoma, esses números não correspondem necessariamente ao número de pacientes.
Fabricantes reagem
As fabricantes se manifestaram. A Novo Nordisk, responsável por Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirmou que uma análise interna de seus ensaios clínicos não identificou aumento de casos da doença associado à semaglutida e sustenta que o balanço entre benefícios e riscos continua favorável. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, declarou que monitora constantemente os dados de segurança de seus produtos, incluindo eventos oftalmológicos.
O tema ganhou repercussão internacional após um grupo de pacientes nos Estados Unidos processar a Novo Nordisk alegando risco de perda de visão provocado pela NOIA, conforme revelado pelo "The Wall Street Journal". Um estudo observacional publicado na JAMA Ophthalmology apontou que o risco de NOIA seria de quatro a sete vezes maior entre usuários de semaglutida em comparação com outras medicações, mas os próprios pesquisadores ressaltaram que os dados não estabelecem causalidade, pois muitos desses pacientes também tinham condições como a diabetes, que por si só pode causar a doença.
Desde junho de 2025, por determinação da Anvisa, a NOIA consta na bula dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara. A decisão foi tomada após análises do Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamentos. A Anvisa reforça que os casos seguem em apuração e que ainda não há confirmação de relação causal entre as canetas emagrecedoras e a NOIA.
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