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Banco Master: PF vai ouvir Léo Dias sobre cachê de R$ 10 milhões

Publicada em: 30/04/2026 06:46 -

 

Corporação quer saber quais contratos representaram de fato serviços de publicidade e quais pagamentos ocorreram para pressionar o Banco Central contra a liquidação da empresa de Daniel Vorcaro

 

A Polícia Federal quer ouvir o influenciador e jornalista Léo Dias no âmbito do inquérito que apura as fraudes envolvendo o Banco Master. A oitiva havia sido marcada esta quinta-feira (30), mas foi adiada após os advogados alegarem que não tiveram acesso aos autos.

 

O comunicador teria recebido pelo menos R$ 9,9 milhões do banco de Daniel Vorcaro por meio da Léo Dias Comunicações. Como o Correio adiantou, a corporação quer saber quais contratos com empresas de comunicação foram para publicidade legal e quais foram usados para pressionar decisões monetárias, como a compra do Master pelo Banco de Brasília.

 

Além da empresa de Léo Dias, outros grupos de mídia estão entre os alvos das diligências. A principal suspeita recai sobre o Portal Metrópoles, que recebeu pelo menos R$ 27 milhões em supostas cotas de patrocínio. Os investigadores avaliam que serão necessários novos desdobramentos da Operação Compliance Zero para aprofundar o funcionamento do esquema fraudulento e identificar o papel de cada agente no esquema criminoso montado para operacionalizar fraudes milionárias e escoar dinheiro fruto de lavagem e prejuízos ao erário público. 

 

Uma das suspeitas em relação a Léo Dias é que o dinheiro tenha sido repassado para financiar ataques ao Banco Central, exaltação do Master e tentativas de alterar o contexto de informações sobre a liquidação do banco, que já estava sob risco em razão de falta de lastro para manter as operações. A Receita Federal aponta que Léo Dias seria ligado a Thiago Miranda, sócio-administrador da Miranda Comunicação e que também seria administrador da empresa Léo Dias Comunicação e Jornalismo S.A.  

Procurado pela reportagem, Léo Dias ainda não se manifestou sobre o caso. Na lista de contratos de mídia milionários, como no caso do Portal Metrópoles, do ex-senador Luiz Estevão, estão outros veículos, como o Estado de S. Paulo, que teria recebido R$ 1,2 milhão do Master. O veículo alega que foram provenientes de contratos de publicidade institucional. O site O Bastidor está na lista como alvo de pagamentos de R$ 2 milhões e o site Vero Notícias teria recebido pelo menos R$ 1 milhão. A nota fiscal emitida em razão da operação cita que os valores seriam para a prestação de publicidade.

Todos esses contratos, assim como outros pagamentos, a exemplo dos serviços de advocacia, como os R$ 129 milhões pagos a Viviane Bacci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, ou os R$ 6,1 milhões para a Lewandowski Advocacia, estão passando por um pente fino dos investigadores, a fim de avaliar e comprovar quais das movimentações estão atreladas a práticas criminosas.

 

Delação

Além das oitivas, investigadores da Polícia Federal avançaram nos últimos dias nas tratativas de delação com Daniel Vorcaro. Ele apresentou, em conversas preliminares, informações sobre autoridades do alto escalão dos Três Poderes, que teriam alguma participação no esquema. A expectativa é de que ele também forneça informações sobre o uso de verbas elevadas para contratar veículos de comunicação e influenciadores para pressionar o Banco Central. O depoimento dele pode dar um raio X da associação criminosa montada para operacionalizar o esquema de fraudes.

A previsão é de que Daniel Vorcaro consiga convencer os investigadores da Polícia Federal a aceitar um acordo de delação até o final desta semana. Em seguida, o caso seria enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), já com as primeiras informações e citação de provas documentais que podem ser apresentadas. Após isso, o relator do caso no Supremo, ministro André Mendonça, pedirá avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o conteúdo. 

Vorcaro foi informado pelos advogados sobre o risco de obter uma pena elevada caso não colabore, assim como a possibilidade de ser alvo de apreensões do seu patrimônio que podem chegar a bilhões de reais - medida que ele espera evitar com a proposta de colaborar com as diligências.

Correio Braziliense

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